One of Pessoa’s 35 sonnets

32

Se eu capto dos sentidos o sentido,
Sentir já tem sentido antes que eu sinta.
Se ouço, ouviu o Ouvir antes do ouvido.
Se vejo, o Ver avista a prévia vista.

Em parte sou a Alma, em parte eu mesmo –
sou Alma nesse todo em mim presente,
e eu, a espoliada parte, cujo senso
engana mas ainda me pertence.

O resto é ver sentidos nessa imagem,
que vem para explicar e passa, em vão,
qual mensageiro imita da mensagem
O aspecto e não explica a explicação,

como se a chave de carta secreta
achássemos escrita em língua incerta.

XXXII

When I have sense of what to sense appears,
Sense is sense ere ’tis mine or mine in me is.
When I hear, Hearing, ere I do hear, hears.
When I see, before me abstract Seeing sees.

I am part Soul part I in all I touch –
Soul by that part I hold in common with all;
And I the spoiled part, that doth make sense such
As I can err by it and my sense mine call.

The rest is wondering what these thoughts may mean,
That come to ex´lain and suddenly are gone,
Like messengers that mock the message mien,
Explaining all but the explanation;

As if we a ciphered letter’s cipher hit
And find it in an unknown language writ.

Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal, 13 de junho de 1888 — Lisboa, Portugal, 30 de novembro de 1935). In “35 sonnets”. Tradução Philadelpho Menezes. (Edição bilíngue). São Paulo: Arte Pau-Brasil Livraria e Editora – Seção achados & perdidos, 1988

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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