EDOCRF – Romance do pavão misterioso (pp. 32)

José Camelo de Melo Rezende
Capa do do cordel “O Romance do Pavão Mysteriozo”
Tamanho: 38,3 x 28 cm
Em papel arroz – Emoldurado

José Camelo de Melo Rezende foi um poeta e cordelista brasileiro. Destaca-se por ser um dos maiores autores da literatura de cordel brasileira, trabalhou como marceneiro e carpinteiro e a partir da década de 1920 iniciou nas poesias em folhetos. Nasceu em 20 de abril de 1885 em Pilõezinhos, um município localizado na Paraíba, mais especificamente na região de Guarabira e teve sua produção literária nas décadas de 1920 e 1930. Faleceu em 28 de outubro de 1964 em Rio Tinto, Paraíba. Ele é o autor do cordel “O romance do pavão mysteriozo”. Essa obra é considerada o maior clássico da literatura de cordel brasileira, escrita em 1923, sendo a mais vendida do país e conhecido no mundo inteiro. Essa xilogravura acima ilustra esse clássico da literatura de cordel.

Na exposição “A Xilogravura Popular – xilógrafos e poetas de cordel” e no livro de mesmo nome essa xilogravura é mostrada. Destaco um trecho do livro que diz: “O livro, ilustrado com fotos e poemas, traz a história e a análise do cordel e traça a relação entre cordel e xilogravura. As gravuras populares apresentadas retratam muito bem o panorama da xilogravura popular numa época muito importante, o início dos anos 1970. Para essa exposição, que mostrou a extraordinária riqueza do imaginário popular do sertão nordestino, os curadores liderados por Edna Matosinho de Pontes adquiriram junto ao marchand recifense e proprietário da Ranulpho Galeria de Arte, Carlos Ranulpho de Albuquerque, as xilogravuras antigas de xilógrafos importantes, entre eles J. Borges e Dila. A maioria dessas xilogravuras expostas e disponibilizadas no livro foram lançadas pela Editora Guariba, criada por Carlos Ranulpho de Albuquerque e, em entrevista em vídeo disponibilizada no canal do YouTube da Galeria Pontes (https://www.youtube.com/watch?v=GkGf0nc-K5U), ele relata sua experiência na impressão delas.”

Agora segue um trecho do livro “Cordel: Do encantamento às histórias de luta” de Maria José Fialho Londres que fala um pouco dessa interessante xilogravura:

“Vendo o retrato da condessinha trancada pelo pai, em Atenas, e que só aparece à janela durante uma hora, uma vez por ano, Evangelista apaixona-se por ela. Divide com João Batista, seu irmão mais velho, a herança que o pai lhes deixara, na Turquia, e parte para Atenas. Hospeda-se em um hotel modesto, para não chamar a atenção, “negando assim sua pista / só para ninguém saber / que era capitalista” e planeja encontrar-se com a condessinha. Para isso, contrata um engenheiro e artista que descobre um meio de acesso: inventa um aeroplano na forma de um pavão. Evangelista faz incursões ao quarto da princesa, que a princípio se assusta e chama o pai. O moço desaparece, pelo telhado, no seu pavão. O pai entrega à filha uma banha amarela para passar na cabeça do intruso, que assim é identificado e preso, mas consegue escapar no seu pavão.
Evangelista faz outra visita à condessinha: em prantos, ela lamenta tê-lo traído, reconhece o despotismo do pai ao privá-la de liberdade. Decide fugir com ele. Fogem, no pavão, para a Turquia. O conde morre de raiva e a mãe, conciliadora – “saíste do cativeiro / fizeste bem em fugir”‘ — chama o jovem casal para morar em Atenas.
O enredo sugere passado (a condessinha trancafiada pelo pai…) mas apresenta aspectos modernos (fotógrafo, jornalista).
A fantasia unida ao engenho moderno cria a ave e o mistério: um aeroplano travestido de pavão. A ambiguidade temporal parece proposital, representando a relação entre atraso e modernidade, esta vencendo aquele. Aplica-se a imaginação, a coragem e a técnica contra a força da autoridade. O romance é muito bem escrito, com momentos de grande espontaneidade. Veja-se o pavão:
Movido a motor elétrico depósito de gasolina com locomoção macia que não fazia buzina a obra mais importante que fez em sua oficina
Tinha cauda como leque as asas como pavão pescoço, cabeça e bico lavanca, chave e botão (sic) voava igual ao vento para qualquer direção.”

21. EDQCRF – Romance do pavão misterioso
Autor: sem indicação
Editor proprietário: José Bernardo da Silva
Lugar: Juazeiro, Bahia
Data: 10-7-1965

Maria José Fialho Londres. In “Cordel: Do encantamento às histórias de luta”. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1983. Originalmente apresentada como tese de doutoramento à Universidade de Paris III, Sorbonne, em 1978.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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