São João Marcos

Mas o que é existir? Oca, submersa,
Esta é a cidade. O nosso úmido avesso
É o espelho final, suma sem preço
Que ajunta o que o fenômeno dispersa.

O esterco esfaz-se onde o tapete persa
Floria. Valsa o capinzal espesso
Nos salões. Onde era um florão de gesso
Há a flor sobre a qual nenhum texto versa.

Pois não somos daqui. As vacas mugem
Entre cruzes. A esguia garça grita
Onde o corpo de Deus era guardado.

Surde um sangue de cal e de ferrugem
Do chão. A noite esmaga-se infinita
Nas pedras, como um beijo de noivado.

30.9.1998

Alexei Bueno (Rio de Janeiro, 26 de abril de 1963). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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