Chartres

Dos cento e setenta vitrais da catedral
restam cento e cinquenta e dois. Mais
de dois mil metros quadrados de cor e luz,
que vestem, ao crepúsculo, as almas que ali vão orar,
banhando-as no orvalho de pinturas sem carne.
Ateus (próximos da velhice), para quem
as grandes perguntas ficaram sem resposta,
sentem vacilar as pernas. Sim, a vida, segundo eles,
deve ser aceita e vivida em sua imediatez.
Os ignorantes não compreendem por que tantos operários
(de tão variadas nacionalidades) esqueceram
os próprios nomes. Um único registrou o seu,
em Rouen. Teria sido Clemente
de todos o mais infeliz?

Armindo Trevisan (Santa Maria, Rio Grande do Sul, 6 de setembro de 1933). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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