O teatro de Stanislávski e o seu sistema

Para falar das origens e da formação do teatro de Constantin Stanislávski (Moscou, Império Russo, 17 de janeiro de 1863 — 7 de agosto de 1938), antes de mais nada, temos que observar que a sua trajetória teatral começou cedo, por volta dos sete anos, para celebrar o aniversário de sua mãe, aos quatorze, seu pai lhe presenteia com um teatro que construiu na casa de campo.
Em 1877 ele debuta como ator, a primeira vez que se apresenta para uma plateia que não é somente composta por membros da família. Assim, fundando com seus irmãos seu primeiro grupo – Círculo de Alekseiev, onde destaca-se como ator e tem sua primeira direção.
Nesta fase começa com suas anotações, suas dúvidas, dificuldades e tentativas de soluções. Esta prática de registro irá perdurar por toda sua vida e com certeza foi seu grande aliado na construção de seu sistema.
O sistema Stanislávski é uma abordagem psicofísica que revolucionou as artes cênicas. Em vez de atuar de forma mecânica, o ator deve viver a verdade cênica, unindo corpo e emoção através da imaginação, das “circunstâncias dadas” e do famoso “se” mágico.

O “se” mágico

Não finjas ser quem não és,
Não vistas a máscara vã,
Pois a arte não se faz de pés,
Que pisam o palco sem amanhã.
Procura no fundo da alma o calor,
Acentua o tom, a respiração,
Não representes a dor ou o amor,
Sente a verdade em cada ação.
Cria o instante e o mundo ao redor,
Nas “circunstâncias dadas” pelo papel,
Onde o ator se transforma em autor,
E o palco se eleva ao mais puro céu.
Basta a centelha do “Se” encontrar,
Para a mentira ceder o lugar
À vida que pulsa, real e visceral.

Para entender melhor essa alquimia teatral, você pode se aprofundar através das obras fundamentais do encenador russo, como “A preparação do ator” e “A construção da personagem”. E também olhar as publicações do Teatro Escola Macunaíma, referência na formação teatral desde 1974

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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