Imagem perdida de mulher

Cadê meu amor? Amarelo.
Distrito de número par
De meu coração
Regrado, desregrado.
Um amor, de repente! Uno
Como um cálculo, de conta,
De pedra, empedrado no peito.
Azulejado, lapidado, riscado
Ou desenhado de sangue.
Cadê? Bateu asas, voou.
Foi-se. E o que ficou?
Sua cor colorida, seu cheiro.
Gosto seu, como almíscar.
Movimento, jeito de corpo.
Gesto de mulher com a flor.
Cor, cheiro, magnólia.
Carmim, sua boca; ondulado,
Seu cabelo: longo, cobrindo
Em suas costas o arquipélago
De sardas marrons e pretas.
Seus seios redondos como pêras,
Seu ventre maduro como fruta.
Tudo isso eu vi, mas cadê?
Foi-se como a brisa da manhã.
Perdeu-se como um barco no mar.
Ou como no dizer do navegante:
_ Me deixou a ver navios.
Todo mundo dorme, mas só eu
Sonho com você, na tardinha
Do sítio, onde repouso do trabalho
Que foi te construir nesses versos.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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