Crônica de Fernando Pacheco Jordão: DMR 2006

O palco era o mesmo do ano passado – a quadra de esportes da Divisão de Medicina de Reabilitação, mas a decoração estava um pouco diferente da do ano passado: só ao arranjos de bexigas vermelhas e verdes em torno, montadas nas grades da quadra. O que diferia bastante era o clima. Este ano, a festa de Natal da DMR para seus pacientes teve como temas únicos a fraternidade e a solidariedade como amálgamas da vida em sociedade, ”É a única forma de convivermos na paz e harmonia que Jesus Cristo pregou em sua passagem pela Terra”, lembrou o oficiante da cerimônia, padre Admário, cuja homilia sucedeu à tradicional apresentação de boas-vindas da diretora da DMR, Dra. Linamara Rizzo Batisttella. Todo o restante do ato foi conduzido pelo padre Admário, da igreja de Nossa Senhora dos Enforcados, na Liberdade- o tempo todo no clima de devoção e comoção que marcam essas celebrações de fim de ano na DMR, com a presença de todos os pacientes e suas famílias. Isto é o que teve de igual aos anos passados. Logo após as boas-vindas, vários pacientes fizeram a leitura de textos sagrados, com acompanhamento lírico e de violão de uma congregada dos Enforcados, a convite do padre Admário. Foi aí o momento de maior emoção, quando uma pequenina imagem do Menino Jesus, colocada numa bandeja com uma vela, foi levada à mesa que servia de altar pela amputada Sra. Domingas, pessoa muito querida na DMR. Seguiram-se várias apresentações de teatro, dança e canto, até o final com um grupo do Projeto Guri, experiência de iniciação artística muito bem sucedida da Secretaria da Cultura do Estado. No final, a hora da criançada: Papai Noel entrou na quadra com presentes e lanches para a turma toda. Desabou um temporal, e uma paciente a meu lado comentou: “As festas aqui são tão bonitas que até o céu comemora”.

Relato do jornalista Fernando Pacheco Jordão, paciente da DMR, a pedido da neuropsicóloga Dra. Sandra Regina Schewinsky.

Fernando Pacheco Jordão (1937 – 2017) faleceu em São Paulo aos 80 anos. Atuou no jornalismo desde 1957, quando iniciou sua carreira na antiga Rádio Nacional, em São Paulo. Posteriormente, trabalhou como repórter, redator e editor de diversos veículos, como O Estado de S. Paulo, TV Excelsior, BBC de Londres, TV Globo, TV Cultura de São Paulo, revistas IstoÉ e Veja. Como consultor e assessor político atuou nas campanhas dos governadores Mário Covas e Geraldo Alckmin. Dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato de Vladimir Herzog, Fernando escreveu o livro “Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte no Brasil”, que já está na sétima edição revista e ampliada e constitui documento fundamental para a História do Brasil. Foi sócio-diretor da FPJ – Fato, Pesquisa e Jornalismo. Hoje é patrono do “Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão”, realizado pelo Instituto Vladimir Herzog desde 2009 e que já está em sua 14ª edição.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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