Poema premiado de Cintia Alves: Língua

Sinto o apalavrar de suas letras
A aproximarem-se lentamente
Sorvendo cada sílaba como mostra
Do verbo que vaza absorvente

Vejo o eclodir da língua em sua boca
A alastrar o que em mim transcende
A carne que o fonema evoca
E a alma que segue cedente

Lambem-se lóbulos, unem-se dentes
Frases harmonizam-se em concento
Vertendo-se preguiçosas pela garganta
Até em meus ouvidos encontrar acento

Vogais escalam minhas pernas
E promovem um movimento desconexo
Seguem envolvendo minhas coxas
Molhando a pele e lambendo o nexo

Jorram as sentenças em meu corpo
Com signos brotando em pevides
Da rima para onde agora zarpo
Do poema que há muito se lapide

Cintia Alves (Pseudônimo: Amadeus) – Nascida em 1972, dramaturga, roteirista, diretora teatral e pesquisadora de acessibilidade estética. Gestora do Museu Vozes Diversas.

Comentário da autora: “O poema Língua me deu o Prêmio Barueri de literatura na categoria Poesia Adulto Residente 2022.”

www.instagram.com/cintiaalvesdramaturga

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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