Federico Fellini: Nota sobre o seu filme “Amarcord”

“Toda grande arte é abstrata”
Jean Renoir

A cena final é a do casamento campal de Gradisca com um militar. Nela os garotos encenam o casamento de forma bonachona. O cego fica numa cadeira tocando a bela música de Nino Rota. São feitos discursos na mesa, desejando felicidades ao casal e tirados retratos. Tentam tirar uma foto no sol, mas começa a chover. Recitam poemas. Com a chuva, o pessoal começa a ir embora aos poucos. Os noivos também saem, após Gradisca atirar o buquê. Permanece o cego tocando e um menino enchendo o seu saco. Os garotos dão adeus aos noivos, correndo atrás do carro. Uma menina pega o buquê. Começam a se dispersar. O filme acaba com o garoto perturbando o músico e os “flocos” caindo. De primavera para primavera, Fellini mostra a eterna idéia de recomeçar, seja no tempo ou na vida, com a parábola da menina apanhando o buquê de flores da noiva. Um dia ela casará e as cenas de “Amarcord”, quem sabe, recomeçarão novamente.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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