Comendo e dançando

Sambado eu fui porque não
Danço hoje para comer filet mignon
E até, quem diria, arroz com feijão
Não recebo há dias o meu soldo
Acumulam-se contas
Baixa no banco o meu saldo
Preciso muito dar um salto
Mudar de vida e voltar a sambar
Num ritmo miúdo
E dançar apenas no salão
Um tango, um reggae
Sozinho ou mal acompanhado
A esperança é como uma mesa bem posta
Esperando para que alguém venha para
Saciar a sua sede e a sua fome
E que pague com uma nova esperança
De que isso se repita para todos no planeta
E que uns não sejam alimentos do outro
Como nessa imensa cadeia alimentar
Onde prevalece a dita má distribuição de renda
E a lei do mais forte

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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