Acerca da origem dos heterônimos de Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos)

Cada heterônimo de Pessoa objetiva um jeito peculiar de chegar ao conhecimento, pois a multiplicação do Poeta em outros poetas: somente assim lhe seria facultado conhecer a realidade aspirar a uma utópica realidade (Massaud Moisés, Fernando Pessoa: o espelho e a esfinge, p.84). Assim, Massaud Moisés introduz uma teoria psicológica, baseada na psicanálise de Jung, para a criação dos heterônimos, dizendo: “Os heterônimos são projeções arquetípicas do inconsciente (coletivo) de Pessoa, e os arquétipos podem ser considerados heterônimos, imagens coletivas/ pessoas que falam de um outro‖ no inconsciente de cada um.” (Massaud Moisés, Fernando Pessoa: o espelho e a esfinge, p. 96). Para Massaud Moisés, Fernando Pessoa criava seus heterônimos em busca de seu self o arquétipo de si mesmo. Assim, não somente Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro eram heterônimos, mas Fernando Pessoa ele mesmo era também um heterônimo, um arquétipo. E Caeiro foi considerado pelo seu criador um mestre.

Massaud Moisés (São Paulo, 9 de abril de 1928 – São Paulo, 11 de abril de 2018), citado por Flávia Lemes de Paula Matsui, in “Estética e metafísica em Álvaro de Campos: Investigação e recepção da sua poesia na Orpheu”, Universidade de Brasília, 2018

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *