Hai-kais

O Pensamento

O ar. A folha. A fuga.
No lago, um círculo vago.
No rosto, uma ruga.

*

Hora de ter saudade

Houve aquele tempo…
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)

*

Cigarra

Diamante. Vidraça.
Arisca, áspera asa risca
o ar. E brilha. E passa.

*

Consolo

A noite chorou
a bolha em que, sobre a folha,
o sol despertou.

*

Chuva de primavera

Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.

*

Noturno

Na cidade, a lua:
a jóia branca que bóia
na lama da rua.

*

Os andaimes

Na gaiola cheia
(pedreiros e carpinteiros)
o dia gorjeia.

*

Tristeza

Por que estás assim,
violeta? Que borboleta
morreu no jardim?

Guilherme de Almeida (Campinas, São Paulo, 24 de julho de 1890 — São Paulo, 11 de julho de 1969). Alguns de seus hai-kais extraídos do livro “Poesia Vária”, São Paulo, 23 de fevereiro de 1937

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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