Poema em processo

Pensamento: fui na sua trilha e cheguei a esse poema que ora coloco no papel
Confesso que o parto não foi fácil e faltou coragem para iniciar essa empreitada
Partir de um papel em branco e colori-lo com idéias é um tanto duro
Mas temos que partir um dia para essa pintura, quer queiramos ou não
Para mim o dia foi hoje, cercado de tintas por todos os lados, saturado até
Pensei em várias coisas: infância, mulheres, literatura, alquimia, música, calor
A forma foi aparecendo, surgindo a partir de uma mancha de tinta, carbono
Fiz patinhas, dois olhos, um fundo (o espaço), pus ponto, um nome, vírgulas
A cabeça da gente dá voltas, rodopios, o medo de errar e não fazer feio: cinema
Escrever sem pensar, pintar sem saber a técnica, criar um oiro da pedra puída
Alquimia de tubos de ensaio e canos de vidro, de cores, químicas, fumaça, fedor
Literatura, pintura, magia – passaram todas pela minha mente, demente, doente
Com febre, cólera, espasmos, tremores, desmedida de acordo com o pensamento
Em um pulso contado (um, dois, …), oscilando entre o relaxamento e a taquicardia

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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