Tempo mal

Porém chovia, e muito. Tanto que tivemos que descer do carro, que atolou, e continuar a pé o trajeto, naquele entardecer. A estrada era de terra – melhor, de barro – e fomos com pouca roupa, naquele quase anoitecer para o vilarejo mais próximo. Era só mato e nós, e chovia torrencialmente. Nossos corpos com roupas molhadas iam perdendo componentes naquele caminho de volta do veraneio no sítio, com fecho de aventura.

Vimos flashes de natureza, em seus detalhes mais envolventes, pois sentíamo-nos parte dela, tão frágeis quanto. E o temporal era quase que fatal – a água vinha grossa e com força – massageando nossas peles tensas e os raios cruzavam sobre nossas cabeças, humilhando nossa postura nua.

Chegamos finalmente a um boteco e conseguimos pouso. A lareira estava boa e o café também. O papo ia e vinha. E era emoldurado por uma chuva pesada, embalando nossa prosa.

(Acontecido em Juquitiba)

E acrescenta a esse relato, via WhatsApp, a amiga Edna Vieira de Carvalho, antiga proprietária do sítio a que me refiro: “Lembrando outras coisinhas, costumávamos recorrer ao filho de D. Sabatina, proprietária de uma venda próxima da Rodovia Régis Bittencourt.  O rapaz era dono de um Jeep e ia até o sítio rebocar o meu carro… Não sei se foi ele o socorrista daquela vez, mas costumávamos parar na venda de D. Sabatina para nos enxugarmos da chuva e tomar um café. Chegamos a nos abrigar em outra casa, no caminho, quando a chuva era muito forte…”

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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