Porém chovia, e muito. Tanto que tivemos que descer do carro, que atolou, e continuar a pé o trajeto, naquele entardecer. A estrada era de terra – melhor, de barro – e fomos com pouca roupa, naquele quase anoitecer para o vilarejo mais próximo. Era só mato e nós, e chovia torrencialmente. Nossos corpos com roupas molhadas iam perdendo componentes naquele caminho de volta do veraneio no sítio, com fecho de aventura.
Vimos flashes de natureza, em seus detalhes mais envolventes, pois sentíamo-nos parte dela, tão frágeis quanto. E o temporal era quase que fatal – a água vinha grossa e com força – massageando nossas peles tensas e os raios cruzavam sobre nossas cabeças, humilhando nossa postura nua.
Chegamos finalmente a um boteco e conseguimos pouso. A lareira estava boa e o café também. O papo ia e vinha. E era emoldurado por uma chuva pesada, embalando nossa prosa.
(Acontecido em Juquitiba)
E acrescenta a esse relato, via WhatsApp, a amiga Edna Vieira de Carvalho, antiga proprietária do sítio a que me refiro: “Lembrando outras coisinhas, costumávamos recorrer ao filho de D. Sabatina, proprietária de uma venda próxima da Rodovia Régis Bittencourt. O rapaz era dono de um Jeep e ia até o sítio rebocar o meu carro… Não sei se foi ele o socorrista daquela vez, mas costumávamos parar na venda de D. Sabatina para nos enxugarmos da chuva e tomar um café. Chegamos a nos abrigar em outra casa, no caminho, quando a chuva era muito forte…”