Cinco visões pessoais

Com o advento da partida do argentino Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco (1936-2025), em 21 de abril, aos 88 anos, li que ele foi professor de literatura e psicologia no colégio da Imaculada de Santa Fé, na cidade de Santa Fé, Argentina, e que citava obras literárias com frequência em seus pronunciamentos, entre as quais livros do seu conterrâneo e ilustre escritor Jorge Luis Borges (1898-1986). Francisco considerava a literatura um tópico essencial para a formação humana e espiritual. Além do escritor portenho ele tinha entre os seus autores preferidos T. S. Eliot, Marcel Proust e C. S. Lewis. Romances e poemas estavam entre os seus gêneros favoritos. “Encontrar um bom livro pode ser como um oásis que nos afasta de outras atividades que não nos fazem bem. A leitura pode abrir em nós novos espaços de internalização que nos impedem de nos fechar naquelas ideias obsessivas anômalas que inevitavelmente nos perseguem”, disse em carta aberta destinada aos jovens padres, publicada em 2024.

Olhando ontem pela manhã minha pequena biblioteca, já que doei boa parte de meus antigos livros para instituições de caridade, encontrei de Borges o pequeno livro “Cinco visões pessoais” (Editora Universidade de Brasília – UnB; 3ª edição, 1996, tradução de Maria Rosinda Ramos da Silva, precisa e fiel ao estilo do autor), que contém as transcrições de cinco palestras proferidas por ele na Universidade de Belgrano de Buenos Aires, Argentina, em 1978. São cinco dos temas sobre os quais ele se debruçou por muitos anos – o livro, a imortalidade, Emanuel Swendenborg, Edgar Allan Poe, o tempo – e nos deixa sua marca de inteligência, humor e imaginação.

No ensaio “O livro”, publicado em “Cinco visões pessoais”, ele resumiu a importância da literatura, dizendo, entre muitos de seus ensinamentos, o seguinte: “Dentre os instrumentos inventados pelo homem, o mais impressionante é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da visão; o telefone, uma extensão da voz e, finalmente, temos o arado e a espada, ambos extensões do braço. O livro, porém, é outra coisa. O livro é uma extensão da memória e da imaginação.”

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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