Donas,
veeredes a prol que lhi tem
de lhi saberem ca mi quer gram bem!
Par Deus, donas, bem podedes jurar
do meu amigo, que mi fez pesar;
mais Deus! E que cuida mi a gãar
de lhi saberem que mi quer gram bem?
Sofrer-lh’-ei eu de me chamar senhor
nos cantares que fazia d’amor;
mais enmentou-me todo com sabor
de lhi saberem que mi quer gram bem.
Foi-m’el em seus cantares enmentar;
vedes ora se me dev’a queixar!
Ca se nom quis meu amigo guardar
de lhi saberem que mi quer gram bem.
Paio Soares de Taveirós (Antiga província do Minho, Portugal ou província de Pontevedra, atual região autônoma da Galiza, Espanha, 1200 – Local e ano do falecimento desconhecido). Cantiga de Amigo pertencente ao Trovadorismo galego-português, onde o eu poético é feminino e seus autores são homens, seus cenários envolvem mulheres camponesas e elas são escritas em primeira pessoa (eu) e, geralmente, são apresentadas em forma de diálogo