Correspondência
Na rua sem gente
Casa sou
Gente. Urgência
Passe. (Passo). Pontos
Que olham. Atendo.
(Passe). Passo. Pontos
Que veem. Me viro.
Se é gente
Afetos
Bons olhos
Que ando…
Blog de Eduardo Matosinho – ematosinho@uol.com.br – WhatsApp: (11) 9 9781-4370
Correspondência
Na rua sem gente
Casa sou
Gente. Urgência
Passe. (Passo). Pontos
Que olham. Atendo.
(Passe). Passo. Pontos
Que veem. Me viro.
Se é gente
Afetos
Bons olhos
Que ando…
Que fazer
escrever
ser
i é
Atuar
“er”
ar
Entra. Sai
Se calar
Parar
Olhar
Sem…
Atuar
“er”
ar
Sai
Alívio
Ato.
Olho
Cai!
Nessa
se
é eu
Ela
sou
sem “er”
Ser
pé.
Olho
corre.
A multidão me comove. Movimento.
A voz geral e ninguém. A esperança
Procuro-a. Então. Pois é. E lá
Estou parado, sentado, olhando
O olho passa
Estou bem
Assento
que vem…
Nem…
sem…
hã.
sei.
Né.
pé.
i.
é.
Olhar de relance
Reflexo de fuga
_ Razão, qualé?
Dejá pra tumba
Bicho que em casa
Vindo do mato
É bicho do mato
Quedê meu buraco
Com olhar
Gente perto
Comida não quer
Família espera
Homem ao longe
Sua cultura
Fuga se der
_ Antropofagia
De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o verão levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares
O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora são apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.
Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, Maranhão, 10 de setembro de 1930 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016)