Antonio Beno Bassetti Filho começou a pintar em 1973, época em que pintou dezenas de quadros à óleo, sempre gostou muito de pintar cavalos. Muitas dessas obras estão hoje em casa de amigos e familiares. Depois que se formou em direito acabou deixando a pintura de lado por conta da atividade profissional por alguns anos, mas sempre manteve contato com a sua arte. Em 2008 retomou sua atividade artística, criando novas obras em pintura à óleo. Começou então a estudar e desenvolver novas técnicas de nanquim, pastel, e lápis. Em 2018 decidiu focar ainda mais em pontilhismo, luz e sombra (lápis), passou a usar o nome Beno Filho e tem se dedicado à esse estilo desde então. Hoje vende suas obras online por encomendas e vendas direta, e continua aprimorando sua técnica e criando novas obras com o tema de animais e pessoas.
Como as mulheres são lindas! Inútil pensar que é do vestido… E depois não há só as bonitas: Há também as simpáticas. E as feias, certas feias em cujos olhos eu vejo isto: Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia! O meu amor porém não tem bondade alguma, É fraco! fraco! Meu Deus, eu amo como as criancinhas…
És linda como uma história da carochinha… E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai (No tempo em que pensava que os ladrões moravam no [morro atrás de casa e tinham cara de pau).
Manuel Bandeira (Recife, Pernambuco, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968). In “Libertinagem”
“Fez roleta-russa na via Dutra – atravessando a estrada com os olhos fechados – e depois foi quebrar a verdadeira imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, em 165 pedaços. Era a terrível noite de 16 de maio de 1978: o início do inferno na vida de Rogério Marcos de Oliveira. Eu conheci o cara em 1994. Ele me contou tudo.
Em 1978, fiquei sabendo do atentado à imagem da Padroeira do Brasil como todo brasileiro, pelo rádio e TV. Não imaginava que, anos depois, fosse conhecer o autor desse atentado. Primeiro como jornalista e depois como vizinho em São José dos Campos onde a partir dos anos 90 moramos muito próximos, separados por poucos quarteirões. Sempre tive interesse pela história protagonizada por Rogério Marcos e, por este motivo, conversei com ele por diversas vezes.
Nessa época Rogério Marcos estava totalmente livre das crises de esquizofrenia e apresentava uma de suas recuperações mais prolongadas, graças às inovações que vinham ocorrendo na área psiquiátrica da cidade de São José dos Campos. Depois de conhecer a versão dele sobre os fatos, assumi o compromisso de escrever o livro contando sua história.
Para colher as informações passei meses encontrando-me com ele. Tivemos longas conversas sobre sua vida e sobre os acontecimentos que envolveram a imagem da Padroeira. Ele estava muito bem de saúde, muito lúcido. Por decisão própria continuava recolhido e morando só. Cheguei a visitá-lo em sua casa e talvez tenha sido um dos únicos jornalistas com permissão para tal.
As narrativas que estão neste livro ocorreram ao longo desses encontros, inclusive em instituições psiquiátricas como no então hospital Francisca Júlia, em São José dos Campos, onde ele voltou a ser internado em nova crise.”
Sérgio Roberto de Paula, jornalista, in “O Quebra-Santa”
Imagem: A Folha de São Paulo divulgou em 30/06/1978 a versão de que Rogério já era conhecido como Quebra-Santa.
O Quebra Santa: História do atentado contra a imagem da Padroeira do Brasil em 1978 Por Sérgio Roberto de Paula (Autor) Formato: eBook Kindle
“Fez roleta-russa na via Dutra – atravessando correndo a estrada com os olhos fechados- e depois foi quebrar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, em 165 pedaços. Era a terrível noite de 16 de maio de 1978: o início do inferno na vida de Rogério Marcos de Oliveira.Eu conheci o cara em 94. Ele me contou tudo.“
Sérgio Roberto de Paula- velho jornalista
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Na foto: Porta-retrato presenteado a mim e a Luiza pela amiga Maria Helena Matarazzo com fotos do nosso casamento que foi realizado na Paróquia Coração Imaculado de Maria (Capela da PUC) e com festa no Clube Português, sito à Rua Turiassú, 59, em Perdizes.
Bem dito pelo nosso poeta maior: “multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação”
A bomba é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba mente e sorri sem dente
A bomba vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba faz week-end na Semana Santa
A bomba tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba industrializou as térmites convertendo-as em balísticos interplanetários
A bomba sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose, de verborréia
A bomba não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba continua a envenená-las no curso da vida
A bomba respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro, cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba saboreia a morte com marshmallow
A bomba arrota impostura e prosopéia política
A bomba cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba é podre
A bomba gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba tem um clube fechadíssimo
A bomba pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bomba é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos de paz
A bomba não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
A bomba desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger velhos e criancinhas
A bomba não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba é câncer
A bomba vai à Lua, assovia e volta
A bomba reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação em cadeia
A bomba está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba
o instante inefável
A bomba fede
A bomba é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba não destruirá a vida
O homem (tenho esperança) liquidará a bomba.
Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). In “Lição de coisas”. Livraria José Olympio Editora, 2ª edição, 1965