Fazendo Arte: Grafitagens de Marilena Grolli mostram poder da cultura das ruas

Marilena Grolli

Formada em Artes Visuais pela UFMS, ela é conhecida pelas grafitagens em muros, telas e também por usar seu talento pra dar forma a qualquer material reciclável. Já mostrou sua produção artística no Brasil e fora dele, comandou o projeto ‘Conexões Graffiti’, oferecendo oficinas e até festival de hip hop à população da periferia de Campo Grande, marcou presença no The Board Dripper, um dos festivais mais importantes do mundo, voltado à cultura das ruas e realizado em Querétaro, no México, além de ocupar a cadeira 10 da Academia de Letras e Artes de MS e ser curadora do Free Art Fest, um dos maiores festivais de arte e cultura de São Paulo. O doc ainda conta com depoimentos de Maria Coelho da Silva (mãe), José Alves da Silva (irmão), Gejo Thedamn, Marcio Mano Xis, Angela Finger e Marta Cel.

O Fazendo Arte, documentário sobre a artista plástica e grafiteira Marilena Grolli com vídeo abaixo , na grade da TV Alems (Assembleia Legislativa de MS), podendo ser conferido no canal 9 da NET ou no site da Assembleia Legislativa De Mato Grosso Do Sul; depois já fica disponível no YouTube da Casa de Leis.

Contatos:
www.instagram.com/marilenagrolli
marilenagrolli@gmail.com
WhatsApp: (67) 9 9200-3730

Artista indicada para o blog por Gejo, O Maldito, que comenta que essa artista desenvolve trabalho com ele no Mato Grosso do Sul.

A blusa amarela

Um velho livro de Maiakovski que me marcou (E essas linhas azuis do tinteiro)…

Do veludo de minha voz
Umas calças pretas mandarei fazer.
Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer.
E numa Nevsky mundial com passo pachola
Todo dia irei flanar qual D. João frajola.

Deixai a Terra gritar amolengada de sono:
“Vais violar as primaveras verdejantes!”
Rio-me, petulante, e desafio o sol!
“Gosto de me pavonear pelo asfalto brilhante!”

Talvez porque o céu está tão celestial
E a Terra engalanada(5) tornou-se minha amante
Que lhes ofereço versos alegres como um carnaval
Agudos e necessários como um estilete pros dentes.

Mulheres que amais minha carcaça gigante
E tu, que fraternalmente me olhas, donzela.
Atirai vossos sorrisos ao poeta
Que, como flores, eu os coserei
À minha blusa amarela!

(1913)

Vladimir Maiakovski (Baghdati, Império Russo, 19 de julho de 1893 — Moscou, Rússia, 14 de abril de 1930). In “Vladimir Maiakovski – Antologia poética”, tradução de E. Carrera Guerra

Liberdade 2

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa (Lisboa, Portugal, 13 de junho de 1888 — Lisboa, Portugal, 30 de novembro de 1935)

Crônica de Fernando Pacheco Jordão: Os Possessos

Os Possessos. Endosso inteiramente a crítica de Jefferson del Rios (“Uma esperança no meio das trevas”, Caderno 2, Estado de São Paulo, 10/07/2008) sobre o espetáculo em cartaz no Teatro Funarte. Faltou apenas enfatizar que a montagem é de tirar o fôlego e reflete a força e o vigor desse vulcão de criatividade do teatro brasileiro que é Antonio Abujamra.

Fernando Pacheco Jordão (1937 – 2017) faleceu em São Paulo aos 80 anos. Atuou no jornalismo desde 1957, quando iniciou sua carreira na antiga Rádio Nacional, em São Paulo. Posteriormente, trabalhou como repórter, redator e editor de diversos veículos, como O Estado de S. Paulo, TV Excelsior, BBC de Londres, TV Globo, TV Cultura de São Paulo, revistas IstoÉ e Veja. Como consultor e assessor político atuou nas campanhas dos governadores Mário Covas e Geraldo Alckmin. Dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato de Vladimir Herzog, Fernando escreveu o livro “Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte no Brasil”, que já está na sétima edição revista e ampliada e constitui documento fundamental para a História do Brasil. Foi sócio-diretor da FPJ – Fato, Pesquisa e Jornalismo. Hoje é patrono do “Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão”, realizado pelo Instituto Vladimir Herzog desde 2009 e que já está em sua 13ª edição.

Galeno: Novas obras

Francisco Galeno nasceu em Parnaíba, Piauí, em 1957. Veio aos 20 anos para Brasília, em busca de melhores oportunidades, e lá reside até hoje. Frequentou o ateliê-escola do pintor Moreira Azevedo, artista português. Fez curso-livre com Maria Pacca no Centro de Criatividade da Fundação Cultural do DF, sob a direção de Luís Áquila. Construiu um caminho artístico na contramão dos modismos e ao mesmo tempo atento às experimentações da arte contemporânea. Sua arte é conceitual, mas está enraizada na história de sua infância. Em suas próprias palavras: “na minha arte não entra um prego que não seja carregado de história afetiva”, ressaltando que sua arte conceitual não é fria, abstrata ou cerebral, mas sim o diálogo com a fonte popular. As matérias primas utilizadas por Galeno são os objetos recolhidos do cotidiano do interior do Brasil – carretéis vazios, latas, partes de tear, restos do dia a dia que ele transforma de lixo em matrizes de sua expressão artística. É hoje um nome consagrado nas artes plásticas da capital da República, com grande reconhecimento da crítica. Continua vivendo em Brazilândia, cidade satélite de Brasília, o mesmo local onde se estabeleceu ao chegar à cidade.

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