No Instagram de Oscar D’Ambrosio

Oscar D’Ambrosio (@oscardambrosioinsta) mostrando minhas contribuições (Quando sugere estar enviando uma frase, uma imagem, com a fichinha técnica e com o nome do pensador citado, para conversar com a frase original dele…):

Escritor, curador, crítico de arte, pós-doc em educação, arte e história da cultura, e jornalista (www.oscardambrosio.com.br)

Imagem 1

Mundo verde em papelão (Estudo), 2001
Eduardo Matosinho
Acrílica sobre papelão de caixa de supermercado
18 x 25 cm

“O mundo é mágico.
As pessoas não morrem, ficam encantadas.”
Frase dita por Guimarães Rosa (Cordisburgo, Minas Gerais, 27 de junho de 1908 – Rio de Janeiro, 19 de novembro de 1967) no seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, em 16 de novembro de 1967.
In: João Guimarães Rosa: Frases de seus escritos e discurso (https://ematosinho.com.br/?p=6219)

Gestos podem criar uma percepção de dança, seja qual for a técnica, o material e o suporte utilizados. A magia da criação visual não está na escolha de um assunto, mas na maneira como ele é representado pela percepção que cada um tem do espaço, valendo-se de cores e formas para atingir as mais diversas composições e os mais significativos resultados.
Oscar D’Ambrosio

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Imagem 2

Pássaro da lâmpada ou Passarão, 1998
Eduardo Matosinho
Aquarela e colagem tirada de revista sobre papel
18 x 25 cm

“Para encontrar o azul eu uso pássaros
As letras fizeram-se para frases.”
Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 – Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908).

“Na língua dos pássaros uma expressão tinge
a seguinte.
Se é vermelha tinge a outra de vermelho.
Se é alva tinge a outra dos lírios da manhã.
É língua muito transitiva a dos pássaros.
Não carece de conjunções nem de abotoaduras.
Se comunica por encantamentos.
E por não ser contaminada de contradições
A linguagem dos pássaros
Só produz gorjeios.”

Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014).
In: Biografia do orvalho (https://ematosinho.com.br/?p=11601), citada nessa poesia de seu livro “Retrato do artista quando coisa”, Rio de Janeiro: Record, 1998

Uma imagem é um canto. Pode mais aparente para alguns; e menos para outros. Cada um percebe e interpreta dentro de sua vontade e capacidade. O essencial, porém, talvez esteja em mergulhar na ideia de que as sugestões que as formas fazem são o ponto de partida dos olhares, não o seu resultado final.
Oscar D’Ambrosio

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Imagem 3

Abstrato colorido, s/d
Eduardo Matosinho
Tinta nanquim colorida Rotring
27 x 37 cm

“Toda grande arte é abstrata.”
Jean Renoir
In “Federico Fellini: Nota sobre o seu filme “Amarcord” (https://ematosinho.com.br/?p=5968)

Obra de arte

O cineasta Jean Renoir dizia que
Toda grande arte é abstrata
No entanto a vida…
O que é que é?
Será que é abstrata
Será que imita a arte
Ou é concreta
Será que é imaginária
Será que é sonho
Ou real, ou nobre
Será que a vida é grande,
(Ou é feita de detalhes
De recortes, de dobras)
É toda, é completa
A arte pode ser grande
Quando vivida
A obra de arte pode ser de Picasso,
Matisse, Duchamp, Miró
A vida pode ser a de José,
De Pedro, Raimundo

Um pensador escreveu um dia
Um pedaço da arte ao dizer que
Os pensamentos nascentes florescem
nas estradas dos jardins cerebrais
Esse poema nasceu assim
No entanto ainda não floresceu
Poemei e pensei, mas não decifrei:
Toda grande vida é…

Eduardo Matosinho

Uma imagem é uma interpretação do mundo, seja ela figurativa ou abstrata. Existe em cada uma delas algo que está além de uma imitação, ou seja, de uma cópia; ou de uma representação alterada daquilo que se conhece. A criação mais potente é a que transforma internamente quem a faz e quem a vê.
Oscar D’Ambrosio

https://www.instagram.com/p/DU1Vy0mEhmf/

Explicação do poema

O poema é uma teia
de sombra e sol.
Uivo de alcateia

para a lua cheia.
O poema é o fluxo
e o cio da sereia.

O poema é o que pulsa
no vértice de fogo
dos olhos da Ursa.

Não é o cachimbo
de ópio. É o vão dos
pássaros do limbo.

A dança da chama
que devora o peito
de quem ama.

O lugar da ágora
onde os deuses amam
musas e medusas.

O poema é um meio
de beber ao seio
das guitarras lusas.

Francisco Carvalho (Russas, Ceará, 11 de junho de 1927 — Fortaleza, Ceará, 4 de março de 2013). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Gejo, O Maldito no CCSP

Monográfica Gejo, O Maldito – “Enxame”

Hoje, dia 22/07, pela manhã, Gejo, O Maldito escreveu dizendo que novamente a exposição foi prorrogada até dia 31 de agosto e de que, nesses 5 meses em cartaz e com sucesso, o livro de assinaturas já teve suas 100 páginas esgotadas. E ele está preparando outro…

O programa Monográfica, da Curadoria de Artes Visuais – ciclo de exposições individuais dedicado à reflexão sobre a produção contemporânea brasileira – apresenta, a cada edição, um recorte consistente da trajetória de artistas em
atuação desde a virada do século XXI. Nesta edição,destaca-se a obra de Gejo, O Maldito, artista cuja formação se dá na experiência direta da rua, herdeiro e agente da tradição da arte urbana no Brasil.
Artista visual, grafiteiro, arte-educador, designer e editor, Gejo, O Maldito (acrônimo de Geovaldo José), desenvolve uma produção marcada pelo movimento Hip Hop e pela cultura do estêncil no graffiti brasileiro, introduzido pelo precursor Alex Vallauri. Além do traço livre nas suas figuras estilizadas, silhuetas em cores sólidas e contornos acentuados, que tem uma aproximação com Keith Haring, sua obra tem principalmente no estêncil sua matriz técnica e conceitual. A partir dessa matriz, Gejo, O Maldito expande seu repertório visual para múltiplos, serigrafias, gravuras e estampas, povoando assim seus “seres das ruas” em diferentes suportes. Elementos industrializados, como rendas e padrões decorativos, são apropriados e convertidos em estênceis, recobrindo pictoricamente sua iconografia dita marginal, combinada de figuras-texturas, como na série de pinturas sobre madeira ou tela em que suas figuras e fundos adquirem diferentes padronagens.
O popular, o coletivo, o massivo, a crítica e o humor constituem eixos centrais de sua poética. Em sua obra, a crítica social e ecológica emerge por meio da escolha deliberada do que é considerado menos nobre. Suas figuras humanas — os “peoples”, como o artista denomina — formam multidões anônimas, silhuetas de corpos sem rosto, aglomerados que evocam ao mesmo tempo vulnerabilidade e resistência. Da classe dos animais, não aparecem espécies domesticadas ou idealizadas, mas urubus, gambás, tatus, lacraias, cobras, lagartas e outros invertebrados — presenças marginalizadas que tensionam hierarquias simbólicas.

Nesta edição do programa “Monográfica”, da Curadoria de Artes Visuais, o destaque recai sobre a obra de Gejo, O Maldito, artista cuja formação se dá na experiência direta da rua, herdeiro e agente da tradição da arte urbana no Brasil.

Sua produção é marcada pela cultura Hip Hop e pela cultura do estêncil no graffiti brasileiro. A exposição organiza-se em cinco segmentos principais — “Pixador”, “Peaples”, “Animais Marginais”, “Motivos Votivos” e “Motivos de Encanto” — que evidenciam recorrências e desdobramentos de sua pesquisa.

“Quer ver um pouco do Suco do final dos anos 80 e começo dos anos 90?
Venha e traga a família! Vai ser lindo conhecer a nova geração 2020’s.
Enxame. Dia 27.03.2026, às 18 h.
Vai acompanhando a saga nas redes.”

Gejo, O Maldito

Serviço:

27/3 a 21/6
Monográfica Gejo, O Maldito – “Enxame”
Abertura: 27/3 (sexta-feira) às 18h
Terça a domingo, 10h às 20h
Piso Flávio de Carvalho
Classificação indicativa: Livre
Grátis, sem necessidade de retirada de ingressos

Centro Cultural São Paulo | Rua Vergueiro, 1000 – CEP: 01504-000 – Paraíso, São Paulo – SP

Gejo, O Maldito – Artista, empresário, mediador de conflitos, empreendedor em economia solidária e hip hoper.

Nasceu em Seabra, na Bahia, em 1976, mas aos três anos mudou-se para São Paulo. Ingressou no graffite, hip hop e stencil no meio dos anos 90 e popularizou o graffiti e o hip hop nas escolas públicas. Massificou o termo arte/ educação, participou das ONG’s mais relevantes de São Paulo; expôs em escolas, bibliotecas, museus, galerias e exposições nos Estados Unidos, Alemanha, Israel, Canadá, Bélgica, Cingapura e Itália.

É criador da marca de “Hip Hop 9370”, editor da revista Arte na Ruas e criador do evento “Free Art Fest”. Atualmente é proprietário do ponto cultural Elo Perdido e da Free Art Agency, que é uma empresa de artistas brasileiros que realiza oficinas, palestras, presta assessoria para assuntos de Street Art, produz ações artístico-culturais para galerias, espaços culturais, ONGs, Estados e empresas. Suas obras refletem as relações humanas nas áreas das questões ambientais, sociais, educacionais, políticas com tons de humor e muitas vezes de críticas com denúncias sociais.

Foi o idealizador do projeto do Centro Cultural Sítio do Tatu Amarelo, em Seabra (BA), que terá cursos de alfabetização de adultos, informática, biblioteca, cinemateca, oficinas de arte, além do amparo aos animais machucados e um jardim com diversos exemplares de plantas.

Contatos:
www.facebook.com/gejone
www.instagram.com/gejothecreator
9370hq@gmail.com
WhatsApp: (11) 9 9388-4069

A encenação do poema

1

Botei um vestido de álacres
no poema
com adjetivos vermelhos
para ficar venenoso
(mas o poema estava nervoso).
uma piteira dourada
de nébulas enigmáticas:
esqueci que minhas tranças
quando balançam fazem ruído
e minha suposta cara é redonda,
açucarada,
com um laço de chuvas.
Se eu pingo,
o mau jeito é um resfriado
e esse poema
não serve para fotografia:
tartamudeia tanto
que a pose não fixa.

2

Fechou o cenário:
essa alma não me obedece:
chove
(o poema está mal-assombrado).
O verso escorre
no meu portrait a Lautrec,
a obra-prima negra da ventura
moderna.
Botei um coador de forma
e as sobras das lantejoulas
me espiam
pintalgadas e chuvosas:
entre amarrotado e verdadeiro
o poema rosnou, deu de ombros, fugiu.

Elisabeth Veiga (Rio de Janeiro, 30 de julho de 1941 – Rio de Janeiro, 2 de agosto de 2018). In “Poesia sempre – Poesia brasileira contemporânea – Revista semestral de poesia”, Rio de Janeiro: Assessoria editorial e gráfica – In-Fólio Produção Ltda., ano 7, número 11, outubro de 1999

Artesão: Hoje é o seu dia, vamos comemorar!

“A Arte Popular Brasileira é bonita, criativa e cheia de vida. Tem um aspecto lúdico que mexe também com jovens e crianças. Encanta e surpreende.”

Edna Matosinho de Pontes, colecionadora e pesquisadora

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A sociologia histórico-comparativa de Max Weber, por Stephen Kalberg

2 – A multicausalidade de Weber

Todas as afirmações de um relacionamento universal e constante entre valores e interesses materiais permanecem estranhas a Weber, como todas as tentativas de estabelecer se a capacidade organizacional, religiosa, legal, de status, ou forças econômicas podem ser ditas como sendo geralmente dominantes. Por exemplo, as mudanças econômicas não podem ser conduzidas geralmente às novas formas legais; ao contrário, estas formas já devem existir em formas incipientes: “os esquemas racionais de técnica legal… devem primeiramente ser ‘inventados’ antes que possam servir a um interesse econômico existente” (E&S, p. 687/412).

Discutindo de uma forma paralela, Weber renuncia a elevação de fatores religiosos acima dos fatores econômicos: “a religião em nenhuma parte cria determinadas circunstâncias econômicas, a menos que haja também nos relacionamentos atuais e nas constelações existentes de determinadas possibilidades dos interesses, ou movimentações poderosas e uniformes para uma tal transformação econômica” (E&S, p. 577/349; ver também, por exemplo, “I”, pp. 268-70/238-40, 286-7/259).

Recusa também oferecer proposições causais gerais no respeito aos desenvolvimentos distintamente delineados (ver, por exemplo, E&S, p. 577/349).

No caso concreto, mesmo o “mercado pode estar sujeito a uma ordem (Ordnung) autônoma concordada pelos participantes ou imposta por qualquer uma grande variedade de grupos diferentes, especialmente de organizações políticas ou religiosas” (E&S, p. 639/385; transl. alt.).

Assim, Weber concede o peso analiticamente igual, em sua fórmula bem conhecida, a uma disposição de ambos os “interesses ideais e materiais”. Mesmo ao reconhecer a possibilidade, em um exemplo empírico dado, da preeminência de um único fator.

Os textos comparativo-históricos de Weber atendem a um espectro cheio de fatores causais, como a escola histórica interpretativa. Seus escritos, entretanto, se opõem a tentativa mantida nesta próxima, particularmente aquela de Charles Tilly, de estabelecer a causalidade unicamente de uma descrição ricamente detalhada. Dado seu axioma de valor-relevância, onde faz uma compreensão da realidade social como inesgotável, e uma preferência para tipos-ideais, Weber nega por princípio admitir essa possibilidade.

Por outro lado, os proponentes da escola dos sistemas do mundo rejeitam amplamente procedimentos multicausais. Atendem, sobretudo, à influência da economia internacional sobre o desenvolvimento político e econômico doméstico. Os interesses dos atores econômicos e políticos no núcleo constituem seu interesse principal, bem como o poder de corporações multinacionais. Os valores de grupos de status, da família, e de religiões são por consequência minimizados, como o são as mudanças culturais no geral nas áreas da semiperiferia e da periferia.

A escola analítica causal focaliza, ela também, sobre as forças estruturais, principalmente das relações de classes e sobre o estado. Os participantes aproximam-se na investigação de hipóteses alternativas, invariáveis por não sustentar uma metodologia amplamente multicausal.

Moore enfatiza as classes, as transformações das estruturas de classe, e os interesses das classes dominantes, no entanto, Skocpol insiste sobre as políticas nacionais e sobre a maneira em que os estados agem independentemente. Nenhum atende aos fatores culturais em uma base regular. Um relacionamento complexo entre valores, tradições e interesses é raramente reconhecido. Embora não restringido por sua metodologia de projeto de pesquisa inspirada em Millian para rejeitar procedimentos multicausais, os profissionais da análise causal relevam os fatores econômicos e políticos às posições da prioridade causal.

As investigações causais de Weber retêm, a princípio, o compromisso a uma metodologia amplamente multicausal. Insiste no detalhe que a investigação de todas as estruturas resiste às relações econômicas e incluem a referência à opinião e aos valores que os legitimam e os sustentam. Suas análises do poder, por exemplo, do grupo de parentesco na China, da ordem de casta na Índia, e do estado prussiano alemão são caracterizadas apenas por tal ênfase. Ele bem sabe que os “tipos de capacidades” envolvem não simplesmente um exame de estruturas externas, mas também um foco em cima da maneira em que a capacidade venha a ser vista como legítima.

As análises radicalmente multicausais de Weber divergem significativamente de todas as escolas recentes da sociologia histórico-comparativa em outros planos. Primeiramente, seus textos empíricos exibem uma atenção repetida à variabilidade da intensidade da ação. Em segundo, Weber insiste no fato que é indispensável, para a ação se tornar sociologicamente significativa, que existam “agentes sociais” poderosos. Certamente, os agentes podem exercer um impacto causal independente em cima das ações-orientadas regulares. Entretanto, levando em conta toda uma variedade de agentes sociais da ação modelada, as análises multicausais de Weber não minimizam consequentemente a influência dos eventos históricos, das inovações tecnológicas, e dos fatores geográficos. Estas ações-orientadas serão examinadas na terceira seção deste capítulo. Como se tornará claro nos capítulos 4 e 5, Weber insiste, ainda mais do que a escola histórica interpretativa, que estas forças devem ser colocadas dentro de um contexto sociológico. Finalmente, por um lado, sua sociologia histórico-comparativa liga agentes sociais à questão do poder, e por outro, ela insiste sobre a capacidade do conflito, da competição, e da pura tensão entre ações-orientadas configuradas da ação a fazer nascer a ação regular. Estes temas concernem-nos neste capítulo.

O compromisso de princípio com a multicausalidade

A ênfase do historicismo de Weber sobre as constelações individuais e as dinâmicas da contingência histórica, assim como sua recusa à vista das “uniformidades abstratas”, incluindo mesmo os tipos-ideais, como à exceção dos conceitos heurísticos, indicam um compromisso profundo em favor de uma metodologia amplamente multicausal, como sua rejeição explícita de todas as teorias que discutem o interesse da validez empírica e do desdobramento necessário de estágios e de leis universais (ver o capítulo 3, pp. 81-3).

Sua má vontade para postular relacionamentos causais necessários é visível mesmo em sua análise da justaposição do calvinismo e do capitalismo: melhor que ser compreendido como o produto de uma evolução lógica ou de um desenvolvimento inevitável, este entrelaçamento de “éticas econômicas” particulares e de “formas econômicas” ocorreram em consequência de forças históricas concretas. No primeiro olhar, a multicausalidade radical de Weber não pode ser aparente.

Muitos comentadores viram a EP como evidenciadora de “uma polarização idealista” geral; Weber, entretanto, insiste sobre os limites da tarefa assinalada neste estudo de caso. Melhor designado para oferecer uma explanação causal para as origens do capitalista moderno, a EP procura investigar a fonte da atitude metódica para o trabalho – o “espírito” do capitalismo – que substituiu as éticas econômicas “tradicionais” (EP, pp. 48-51/31-3, 55/37, 74-8/60-2).

Incapaz de descobrir a origem destas éticas econômicas “racionais” nos fatores materiais, biológicos, ou estruturais, ele se virou em direção aos textos religiosos e o encontrou em evidências manifestas desta atitude nas exortações e nos sermões de teólogos do puritanismo divino, particularmente àqueles entregues por Baxter no século XVII (EP, pp. 99-106/90-7). Saber se este “ethos” era certamente significativo na ascensão do capitalismo moderno em diversos países que viram seu nascimento era, para Weber, uma questão aberta a ser investigada de forma empírica e com relação a uma diversidade de ações-orientadas relevantes do poder, da economia, dos grupos de status, das organizações universais e das leis.

Weber nunca pretendeu oferecer uma análise multicausal neste “ensaio da história cultural”; ao contrário, enfatizou intencionalmente configurações “ideais” a fim discutir vigorosamente em favor da necessidade de sua inclusão em todas as análises da ascensão do capitalismo moderno (EP, p. 183/205; ver também pp. 277-8, N. 84/192, N. 1; pp. 283-4, N. 118/205, N. 3; EP II, P. 182).

Weber considera a influência da doutrina religiosa em detrimento do “materialismo” em EEWR. Anota uma variedade de obstáculos não-religiosos ao desenvolvimento econômico na China, tal como laços extremamente fortes de parentesco e uma ausência “de uma lei formalmente garantida e uma administração e um judiciário racionais” (RofC, p. 85/374; ver também pp. 91/381, 99-100/389-91), e na Índia, tal como os confinamentos colocados em cima da migração, no recrutamento do trabalho, e no crédito pelo sistema de castas (RofI, pp. 111-17/109-16, 52-3/54-6, 102-6/100-4). Descobre também, entretanto, uma diversidade de forças materiais favoráveis que não têm, entretanto, êxito em fazer nascer um capitalismo burguês moderno, tal como, na China, a liberdade de comércio, de uma acumulação de metais preciosos, do crescimento da população, da mobilidade ocupacional, e da presença de uma economia monetária (RofC, pp. 243/530, 54-5/340-1, 99-100/390, 243/529-30, 12/289-90). Assim, indica outra vez sua recusa para ignorar valores religiosos: “A origem do racionalismo econômico, apenas porque é dependente de uma tecnologia racional e de uma lei racional, é também dependente em cima da capacidade e da disposição dos povos em adotar formas específicas de condução prática-racional da vida. Se os obstáculos de uma natureza mental lhe fossem opostos, nivelaria então o desenvolvimento de uma maneira de vida economicamente racional fazendo frente à resistência forte nos espíritos” (“AI”, pp. 26-7/12; transl. alt.; sublinhado no original). Weber descreve os estudos de EEWR como sendo não as simples investigações dos relacionamentos complexos entre as esferas da economia e da religião, mas geralmente como “estudos dos inter-relacionamentos históricos universais entre a religião e a sociedade” (EP, p. 284, n. 119/206, n. 1; sublinhado no original; ver também o “AI”, pp. 27/12-13).

A mesma organização e a disposição de E&S testemunham também o compromisso de Weber em favor dos procedimentos amplamente multicausais. No lugar de partir de uma noção da “sociedade” ou de se perguntar como a ordem social aparece e se mantém, este tratado analítico remanescente focou sobre a ação modelada por pessoas pertencentes a grupos, a classes, e a organizações diversas de status. Estes, por sua vez, estão situados dentro dos domínios societais demarcados (gesellschaftliche Ordnungen), cada qual é definido pelo problema específico que coloca: o grupo de status, a organização universal, a religião, a lei, a política e a economia. Um agrupamento de tipo-ideal está conectado analiticamente para cada domínio.

Como argumentado no capítulo 1, cada tipo-ideal de Weber – por exemplo, a família, o empregado civil, a economia capitalista, o ascetismo como via de salvação e a autoridade burocrática – coloca em destaque a continuidade de uma ação significativa, a resistência da ação aleatória ainda que todas as orientações concorrentes da ação. Cada indicativo de uma continuidade de significativa ação e uma clara resistência contra ação sem propósito tão bem como competindo com todas ações-orientadas.

Deste modo, probabilidade com respeito a persistência de ação uniforme e a exclusão de outra ação são com respeito a cada tipo-ideal.

Desta maneira, cada lista de possibilidades empíricas, e, como exemplificado, a ações-orientadas demarcadas por tipos-ideais são dotados de um inerente impulso causal e permanecendo no controle ou, nos termos de Weber, no aspecto independente (eigengesetzliche).

Seus textos substantivos comprovam que agrupamentos de ações-orientadas são sociologicamente significantes: cada uma delas é potencialmente dotada de uma eficácia empírica causal.

Porque Weber considerou as fontes de ação exemplificadas como extremamente pluralísticas, ele rejeita todas teorias de desenvolvimento cíclico e o caso único da teoria materialista marxista, conceito popular de seu tempo. Ele era total e particularmente crítico, até mesmo quando reconhece o seu inquestionável valor heurístico, da atribuição ao axioma do marxismo subestrutura/superestrutura para o status do princípio geral e da lei científica. Por exemplo, embora ele enfatize a influência que a classe tem na formação e difusão das doutrinas religiosas, Weber também argumenta que os sistemas de credo não poderiam ser vistos como uma mera função de interesse de uma camada específica (ver, por exemplo, “I”, pp. 269-70/240-1). Uma economia ética, da mesma forma, não poderia ser entendida “como uma simples ‘função’ de forma econômica de organização” (“I”, p. 268/238; ver capítulo 1, pp. 28-9).

Justamente por isso, uma classe formalmente treinada de juristas, por exemplo, não deveria ser entendida como cristalização simples dos interesses capitalistas. Como Weber pergunta: “Por que os interesses capitalistas não tiveram os mesmos efeitos na China ou na Índia” (“AI”, p. 25/11)?.

Ele está convencido que existe uma relação bem mais complexa entre, por exemplo, os fatores legais e econômicos que o axioma marxista da subestrutura/superestrutura permite examinar. A ausência de interesse econômico não significa uma simples explicação para a ausência da instituição legal para desenvolver, e um sistema legal de específicos tipos técnicos “são de distância significativa para a probabilidade que certamente a instituição legal será inventada no contexto que ordinariamente acreditou” (E&S, pp. 687/412; ver também pp. 654-5/395; Weber, 1889, pp. 13-14). O “irracional” método do pensamento das leis alemãs, por exemplo, favoreceu certamente a invenção da técnica legal (ver E&S, p. 683/409), e o “inverso” da invenção legal da lei medieval, que era decididamente menos racionalizada na lógica e técnica desde aquela lei romana, facilitada a invenção da ostentação da instituição legal capitalista (ver E&S, p. 688/412; GEH, pp. 340-3/290-3). De uma maneira geral: “situações econômicas não originam automaticamente novas formas legais; ela somente providencia a oportunidade para a atual expansão da técnica legal se esta era inventada” (E&S, p. 687/412).

Weber vê que os interesses adquiridos impulsionaram com frequência o desenvolvimento legal ao longo do caminho desenvolvimental independente. Condições “intrajurídicas”, deste modo como “a característica particular dos indivíduos que estão em condições de influenciar, por virtude da profissão deles, os caminhos nos quais a lei figurou”, e especialmente, o tipo legal de educação têm sido especialmente importantes (E&S, p. 776/456; transl. alt.).

Tecnicamente treinados os escrivães com notório desenvolvimento técnico-legal ao longo “de seus próprios caminhos” no século XVII (E&S, p. 683/408). Weber viu também as diferenças nos métodos do pensamento entre o direito continental e a Common Law colocados como limitadamente próximas com “a estrutura e as modalidades internas da existência da profissão legal” (E&S, p. 889/509). “As necessidades intrínsecas de uma administração da justiça”, incluindo a necessidade de racionalizar procedimentos legais, representam uma poderosa impulsão que fez nascer uma camada de ensinamento jurídico que poderia articular precisamente uma discussão legal. (E&S, p. 853/491). Estes juristas, ao seu jeito, têm muito frequentemente representado um autônomo e um influente papel de uma inovação da tecnologia legal (E&S, p. 776/456).

Recusando constantemente resignar um modelo de classe ação-orientada, como capturada por tipos-ideais, nos grupos de classes, das organizações universais, da política, da religião, da economia, e das leis de domínios societários, Weber argumenta que todos combinados são um princípio empiricamente possível. Introduzindo o seu capítulo no tradicional e carismático posto na Parte II do E&S, por exemplo, ele formaliza a sua intenção explicando que o texto trata não somente de uma avaliação em que medida é possível dizer que a “chance desenvolvimental” do “princípio estrutural” maior de cada tipo de poder são submissos às determinações para a “economia, política ou alguma outra determinante externa”, mas, além disso, mede sua capacidade em seguir “uma lógica própria ‘autônoma’ na técnica estrutural dele” (E&S, p. 1002/578). Esta lógica pode ser vista como capaz de exercer uma efetiva independência já que é um modelo de ação orientada para a economia (E&S, pp. 578/349, 1002/578, 654-5/395). Weber descobriu muitos casos empíricos quando isto estava exercido. (ver, por exemplo, E&S, pp. 650/392, 1309/780).

Ele está especialmente consciente do fato que a atribuição de uma legitimidade do poder coloca em movimento uma poderosa força independente. A tentativa de legitimar o poder, bem como a alta sociedade defensora de serviços normalmente de suporte fortificado de poderes. Para Weber, apenas esta capacidade dotada, “ideia geral precisa”, serve para justificar a vantagem que significativas implicações a respeito do modelo de ação: o poder fortalecido e a positiva honra social sustentada por um ponto de vista legítimo amortecendo o impulso de forças inovadoras. Com o poder deles e o prestígio baseado no confucionismo chinês, por exemplo, poderia trabalhar com mais efetivo proponente da familiar religiosidade, que, particularmente na China, resistiu completamente à oposição para a abertura do capitalismo moderno e do “espírito” do capitalismo (RofC, pp. 236-7/523). O poder dos Brahmins na Índia não foi sozinho uma garantia de que o sistema de casta fosse tolerado e resistisse como um obstáculo central contra o desenvolvimento da economia urbana e de uma “cidadania” na Índia; preferivelmente, difundido como crença geral que os Brahmins legitimamente possuíam prestígio e autoridade evidenciados de forma igualmente central. (RofI, pp.90-1/89, 113-14/112, 127-9/127-9). Esta mesma noção de legitimidade desempenhou uma maior parte na estabilização da dominação feudal: “Todo poderoso vassalo era tão fortemente persuadido para dissolver o laço feudal completamente que somente o fato a explicar é porque este não foi o acontecimento frequente que mais ocorreu na atualidade. A razão era a garantia de legitimidade… que os vassalos encontraram na associação feudal para aquilo que consideram seus direitos a terra e ao poder certo” (E&S, p. 636/1085; sublinhado no original).

Weber chama a atenção assim de como para as doutrinas religiosas e as vias de salvação – por exemplo, a crença calvinista na predestinação, a justificação luterana através da fé, a doutrina indiana do karma, e a doutrina católica do sacramento (“I”, pp. 286-7/258-9). Para ele: “toda configuração de conceitos religiosos… portam neles mesmos suas próprias leis e sua força de coação” (EP, pp. 277-8, n. 84/192, n. 1; transl. alt).

Além disso: O natural desejo sagrado tem estado fortemente influenciado pelo natural interesse externo e o correspondente caminho da vida do domínio da camada social e deste modo pela camada social própria. Mas o contrário também influencia, onde quer que o total caminho da vida tem estado metodicamente racionalizado, esta direção tem estado profundamente determinada pelo derradeiro princípio para o qual esta racionalização tem sido orientada. (“I”, pp. 286-7/259; transl. alt.; ver também pp.268-70/238-41, 286/259 e 290/263).

Argumentando no interesse deste modo integral específico fator de potencialidade causal – inerente para a economia, lei, poder, e esferas da vida religiosa e assim como para os grupos de status, classes, e organizações universais12 – Weber visou em particular o conceito econômico de ação interiormente estendida teoricamente na estrutura e para tratar “ambos os lados” da conexão causal.13 Ele busca reconhecer a centralidade de fatores econômicos, assim como a palavra sistemas e escolas analíticas causais, já enfatizando a necessidade para a radicalmente multicausal aproximação. Ele declara claramente, assim como sua aversão para todas generalizações que transcendem as épocas, em uma passagem chave em E&S:

Grupos que não são de algum jeito economicamente determinados são extremamente raros. Contudo, o degrau desta influencia varia rapidamente e, apesar de tudo, a determinação econômica da ação social é ambígua – contrária à suposição então chamada de materialismo histórico… Já a asserção que a estrutura social e econômica são “funcionalmente” relatadas é uma visão influenciada, a qual não pode ser justificada como uma generalização histórica, se um inequívoco interdependente é falso. Para a forma estrutural [Strukturformen] de ação social segue “leis por eles admitidas”, como veremos novamente, e já separados deste fato, eles podem dar caso por sempre estar co-determinado por outros casos econômicos. Contudo, algumas condições econômicas tendem a se tornar casualmente significativas, e frequentemente de importância decisiva, para a estrutura de quase todos os grupos sociais, pelo menos aqueles que têm maior “significância cultural”; inversamente, a economia é usualmente também influenciada por estruturas autônomas [Struktur] da ação social dentro do que existe. A não significante generalização pode ser feita quando e como ocorrer. (E&S, p. 341/200-1; ver também p. 935/537).

Weber enfatiza uma multicausalidade amarrada intimamente a sua noção de carreiras sociais (Träger). Se modeladas as ações-orientadas são tornadas influências e sociologicamente significativas, um coesivo e poderoso agente delas devam cristalizar. Como ele anotou, “a não ser que a concepção ‘autônoma’ para não perder toda precisão, esta definição pressupõe a existência de um destinado grupo de pessoas que, embora associação possa variar, é determinável” (E&S, p. 699/419; transl. alt.). Além disso, nos textos substantivos de Weber, os agentes podem independentemente chamar diante da ação regular.

Desta maneira, os agentes são centrais na sua multicausalidade; repetidamente chama atenção para eles. A noção de Weber para agentes sociais é mais ampla que aquele oferecido pela relação causal ou sistema de mundo próximos, e o papel causal dos agentes é sublinhado bem mais explicitamente que nos escritos comparativo-históricos que é o caso na investigação encarregado por aderir às interpretativas da escola histórica.

Artigo feito por mim e por Valéria Ribeiro Costa durante a minha estadia na Universidade de São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, como aluno especial, para o curso do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, na data de 19 de julho de 2007, para a matéria FLS5016-4 – Leituras de Max Weber: Teoria Clássica I, ministrada pelo Prof. Dr. Antônio Flávio de Oliveira Pierucci