Poema solo

Ir fundo até que fui
Vivenciei as crises
Explorei potencialidades
Da vida
Me fechei quando acuado
Hoje estou em processo
De abertura e em busca
Do Eduardo que já fui um dia:
Corajoso
Do barro, do interior
Sem medo das guerras e das brigas
Sendo mãe de mim mesmo
E disputando um lugar ao sol
Fui inventor de mundos
E descobridor como toda criança o é
De adolescente paquerador e de bem com a vida
Virei um adulto acuado
Fugi de mim mesmo
Fechei-me numa redoma
De onde só me libertei aos poucos
À custa de muita análise e remédios
Hoje estou ao bel prazer das oscilações
Da economia e das leis do mercado
Inseguro como todos
Pela violência dos homens e das ruas
Da conjuntura adversa e
Marota e, porque não, do mundo globalizado
Azarado
Posto em cheque e procurando por uma
Saída difícil e ao mesmo tempo corajosa
Com medo de romper o status quo
De chocar e de empolgar
De pagar para ver…

Em abertura para obra e para a arte

Adir Sodré: Japonismo, Proteção e Por meios de azuis pássaros voam… 100 anos de Manoel de Barros

Adir Sodré de Souza (Rondonópolis/ MT – 1962) freqüentou o ateliê livre da Fundação Cultural na UFMT, orientado por Humberto Spíndola e Dalva Maria de Barros, em 1977. Na década de 80, seu trabalho orienta-se para uma temática regionalista, preocupando-se com o problema do índio e a invasão da indústria do turismo e o consumismo. Já em trabalhos da década posterior, revela admiração por Henri Matisse (1869-1954), empregando cores puras e elementos decorativos em obras nas quais o erotismo também é muito presente, como em Falos e Flores (1986) ou Orgia das Frutas (1987). Produz também retratos de personalidades conhecidas, marcados pelo humor. O artista mantém diálogo constante com aspectos da história da arte, fazendo referências entre outros a Vincent van Gogh (1853-1890) ou a Diego Velázquez (1599-1660), aproximando-se também do universo dos quadrinhos, como em Almoço na Relva VII (1988). Entre as exposições de que participou, destacam-se: Gente da Terra – Homenagem a Maria Auxiliadora da Silva, no Paço das Artes, São Paulo, 1980; Panorama da Arte Atual Brasileira, no MAM/SP, São Paulo, 1983; Como Vai Você, Geração 80?, na EAV/Parque Lage, Rio de Janeiro, 1984; Modernidade, Arte Brasileira do Século XX, no Museu de Arte Moderna de Paris (França) e no MAM/SP, São Paulo, 1987; Brasil: Imagem dos Anos 80 e 90, no MAM/RJ, Rio de Janeiro, 1993. Evento no Itaú Cultural: BR/80 Pintura Brasil Década 80, São Paulo, 1991.

Contatos:
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www.instagram.com/adirsouza
WhatsApp: (65) 9 9800-9215

Meditando sobre caminhos cerebrais

Meditando sobre caminhos cerebrais
Pensei no pensado e no que não foi escrito
Caminho e penso, tenho idéias para o escrito
A pedra tem que ser lapidada para virar algo dizível
Deixar de ser pedra para ser um objeto construído
Trabalhado como uma obra do homem
Quando caminho tenho idéias de versos e ritmo
Sento para escrever e a idéia original some
Surge outra coisa, mais dura, menos polida
Se pudesse gostaria de escrever no espaço
No pensamento, no ar, no cérebro
Por no papel incomoda, é difícil e falta leveza
Às vezes chegamos com uma idéia pronta
Na cabeça acabada, mas na hora do papel
Ela some, evapora no ar, ficando rudimentos duros
De pedra, bruta. O que fazer se o ofício nos chama
Escrevo mesmo assim para depois tentar o impossível
Encontrar a antiga leveza – a beleza original
Lapidar é preciso para sair algo melhor
Transpiração para criar e buscar a simplicidade da origem
Da idéia que nos fez sentar para escrever um poema
Que nada mais é do que uma idéia bruta trabalhada
Labutada à partir de uma idéia original

Comendo e dançando

Sambado eu fui porque não
Danço hoje para comer filet mignon
E até, quem diria, arroz com feijão
Não recebo há dias o meu soldo
Acumulam-se contas
Baixa no banco o meu saldo
Preciso muito dar um salto
Mudar de vida e voltar a sambar
Num ritmo miúdo
E dançar apenas no salão
Um tango, um reggae
Sozinho ou mal acompanhado
A esperança é como uma mesa bem posta
Esperando para que alguém venha para
Saciar a sua sede e a sua fome
E que pague com uma nova esperança
De que isso se repita para todos no planeta
E que uns não sejam alimentos do outro
Como nessa imensa cadeia alimentar
Onde prevalece a dita má distribuição de renda
E a lei do mais forte

Em memória de um amigo

Jorge Uehara (20/04/44 – 10/11/02)

Em abril passado, se estivesse vivo, meu querido amigo estaria completando 75 anos. Ele trabalhou comigo no Dieese e era responsável pela área de processamento de dados. Lá, em 1993, ele coordenou uma nova pesquisa de orçamentos familiares com o objetivo de calcular o peso que os produtos tinham no orçamento familiar. Trabalhou também no centro de processamento de dados da Faculdade de Economia da USP, onde se formou em 1976. Foi uma das cabeças mais privilegiadas que conheci, além de ter enorme sensibilidade política e social. Saudades!