Autor: ematosinho
Pássaro e ovo: um ensaio-sonho dedicado a Rubem Valentim

” Na medida em que a luz e a sombra dançam sobre os mistérios, o pássaro liberto e selvagem adentra, discreto e distinto, o templo. Sobrevoa e observa os altares. Um vôo solene, circular e sem ruídos. Ele está em movimento e na altura certa de ser sintético com o sagrado, de refletir sobre linhas e curvas e cores que se tornam disformes pela fé humana, mas que sob seus olhos, que se acostumaram com os grafismos terrestres, e sob suas asas que desenham as linhas de seu vôo, são apenas tramas do espírito, organizadas complexamente: contínuas composições emblemáticas. O altar se construía como um encanto planificado. Eu disse a ele, sem saber se ele escutaria: — Rubem, eu consigo ver nas formas os altares. “
Yhuri Cruz (Rio de Janeiro, 1991) é artista visual e escritor, graduado em Ciência Política (UNIRIO) e pós-graduado em Jornalismo cultural (UERJ). Trabalha com questões anticoloniais e raciais, promovendo a intersecção entre sua herança ética e estética familiar e as esferas institucionais e transgressoras do campo artístico. O ensaio-sonho “Pássaro e Ovo” é um texto comissionado pela Collección Patrícia Phelps de Cisneros para o projeto “Rotas Alternativas” com curadoria de Bruno Pinheiro e Horacio Ramos Cerna. 2021 | Editado em 2022
Meus tempos em São Bernardo – Campinas – SP (Fins dos anos 70)
Aparecem nas fotografias: Meu irmão Edson, minha cunhada Cirlei, minha cunhada Celene e meu pai Edmundo. Essas preciosidades me foram enviadas pelo meu sobrinho Diogo Fernandes Matosinho.
Azeitona, ovo frito
Frida, a poetisa

Meu Diego:
Espelho da noite.
Teus olhos, espadas verdes
dentro da minha carne,
ondas entre nossas mãos.
Tudo em um espaço repleto de sons,
na sombra e na luz.
Você era chamado de auxo-cromo: aquele que captura a cor.
Eu, cromófore: aquele que dá cor.
Vocês são todas as combinações
dos números
da vida.
Meu desejo é compreender linhas, formas, sombras, movimento.
Você realiza e eu recebo.
Sua palavra percorre a totalidade do espaço e alcança minhas células,
que são minhas estrelas,
e então vai para as suas, que
são minha luz.
Frida Kahlo (Coyoacán, México, 6 de julho de 1907 – 13 de julho de 1954) foi uma pintora mexicana conhecida pelos seus muitos retratos, autorretratos, e obras inspiradas na natureza e artefatos do México. In “Retrospectiva de Frida Kahlo – O diário de Frida Kahlo: Um autorretrato íntimo”
A. Volpi, estudando 1
Verso do Poema Sujo fundindo a genialidade de Volpi com as cores e as formas (trecho)

[…]
como um monturo de trapos sujos
latas velhas
colchões usados
sinfonias sambas e frevos
azuis de Fra Angelico
verdes de Cézanne
matéria-sonho de Volpi.
Mas sobretudo meu corpo nordestino
mais que isso maranhense
[…]
Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, Maranhão, 10 de setembro de 1930 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2016). Gullar tinha grande admiração por Alfredo Volpi (Lucca, Itália, 14 de abril de 1896 — São Paulo, 28 de maio de 1988) e, além da poesia, o poeta maranhense escreveu textos críticos exaltando como o pintor traduzia a alma brasileira sem precisar apelar para folclores ou obviedades, afirmando que o pintor ensinava a “ser brasileiro sem se preocupar com isso”
Com capacete ao sol
Trechos de dois poemas de Egon Schiele
Autorretrato
“Sou por mim e por aqueles para quem a sede ébria de liberdade presenteia tudo comigo, e também por todos, porque a todos amo — amor.
Estou entre os mais nobres e entre aqueles que correspondem.
Aquele que mais corresponde
Sou humano, amo a morte e amo a vida.”
(1910)
Sol
“Provar o rubor, cheirar os sonolentos ventos brancos, olhá-lo no universo: sol.
Contemple as estrelas amarelas e brilhantes, até você se sentir bem e ter que bloquear o piscar.
Mundos cerebrais brilham em suas cavernas.”
Célebre estrofe publicada na coletânea Ich ewiges kind (Eu, eterno menino)
Egon Schiele (Tulln an der Donau , Áustria, 12 de junho de 1890 — Viena , Áustria, 31 de outubro de 1918) foi um pintor expressionista austríaco. Esses poemas refletem a mesma intensidade visceral de sua arte visual, explorando o corpo, a liberdade e a agonia da existência. Escritos no início do século XX, seus textos ganharam publicações póstumas e traduções internacionais
Eterna Marilyn!
Marilyn Monroe, 100 anos, foi uma atriz, modelo e cantora norte-americana. Como estrela de cinema de Hollywood, é um dos maiores símbolos sexuais do século XX, imortalizada pelos cabelos loiros e as suas formas voluptuosas. Inicialmente, ficou famosa por interpretar personagens cômicos, tornando-se sucesso no cinema.
Marilyn casou-se três vezes e Arthur Miller (Harlem, Nova Iorque, Estados Unidos, 17 de outubro de 1915 – Roxbury, Connecticut, Estados Unidos, 10 de fevereiro de 2005), com quem foi casada de 1956 a 1961, aparece nessa foto acima com ela. Esse renomado dramaturgo norte-americano foi com quem a atriz teve o casamento mais longo, terminando em divórcio no ano anterior a morte dela.
Marilyn Monroe, nascida Norma Jeane Mortenson (Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos, 1 de junho de 1926 – 4 de agosto de 1962)