Autor: ematosinho
Cabocla Jurema
Cabocla
Seu penacho é verde
Seu penacho é verde
É da cor do mar
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor… da Cabocla Jurema
Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
Jurema
Quem rola pedra
Na pedreira
É Xangô
Quem rola pedra
Na pedreira
É Xangô
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
É cor da Cabocla Jurema
Jurema
À tarde…
Quando de volta da serra…
Os pés sujinhos de terra
Vejo a cabocla passar
As flores vem pra
Beira do caminho
Para ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando…
Ela na rede adormece
O seio moreno esquece
De na camisa…
Ocultar
As rolas…
As rolas…
Também morenas
Cobrem o colo de penas
Para ele…
Se agasalhar
A Noite…
Dos seus cabelos
Os brancos
São feitos de pirilampos
Que as estrelas…
Querem cegar
E as águas do rio
Que vão passando
Fitam seus olhos
Castanhos
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme
Toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu
Todo apagado
Somente
Com o nome dela
Na boca
Pensando nessa
Cabocla
Fica o caboclo
Acordado.
Maria Rosa Canellas, conhecida por Rosinha de Valença (Valença, Rio de Janeiro, 30 de julho de 1941 — Valença, Rio de Janeiro, 10 de junho de 2004). Interpretado por Maria Bethânia (Santo Amaro, Bahia, 18 de junho de 1946) em seu disco “Brasileirinho” lançado em 2006
Timão
Dois poemas do filósofo, poeta lírico e romancista alemão Hölderlin
A árvore
Quando menino, tímido te plantei
Bela planta! quão diferentes nos vemos
Magnífica estás e
como um menino.
§
Metade da vida
Peras amarelas
E rosas silvestres
Da paisagem sobre a Lagoa.
Ó cisnes graciosos,
Bêbedos de beijos,
Enfiando a cabeça
Na água santa e sóbria!
Ai de mim, aonde, se
É inverno agora, achar as
Flores? E aonde
O calor do sol
E a sombra da terra?
Os muros avultam
Mudos e frios; à fria nortada
Rangem os cata-ventos.
Friedrich Hölderlin (Lauffen am Neckar, Alemanha, 20 de março de 1770 — Tübingen, Alemanha, 7 de junho de 1843). “A árvore”, organização e tradução Paulo Quintela. Coimbra: Atlântida, 1959 e “Metade da vida”, tradução Manuel Bandeira, in “Estrela da vida inteira”. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1966
Agitos recentes
Eu no Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro (em frente à palmeira Talipot ou Corypha Umbraculifera, foto de Veralu Andrade – 21 9 8075-4443), no Museu de Arte Sacra (Sala do metrô Tiradentes vendo presépios, foto de Iran Monteiro – 11 9 8496-5403), em casa (Aniversário de 20 anos do João) e na Fazenda das Cabras – Campinas (Casamento da Marina e Mathias, foto de Guilherme / Fotocafé Mini Wedding – 19 9 9739-2813).
Será o Benebicho
Samba de la Bénédiction / Samba da Bênção
Il vaut mieux être joyeux que d’être triste
É melhor ser alegre que ser triste
La joie est la meilleure chose qui existe
Alegria é a melhor coisa que existe
C’est comme la lumière dans le cœur
É assim como a luz no coração
Mais pour faire un samba avec beauté
Mas pra fazer um samba com beleza
Il faut un peu de tristesse
É preciso um bocado de tristeza
Il faut un peu de tristesse
É preciso um bocado de tristeza
Sinon, on ne fait pas de samba, non
Senão, não se faz um samba não
Sinon, c’est comme aimer une femme juste belle
Senão é como amar uma mulher só linda
Et alors ? Une femme doit avoir
E daí? Uma mulher tem que ter
Quelque chose au-delà de la beauté
Qualquer coisa além de beleza
Quelque chose de triste
Qualquer coisa de triste
Quelque chose qui pleure
Qualquer coisa que chora
Quelque chose qui ressent la nostalgie
Qualquer coisa que sente saudade
Un balancement d’amour blessé
Um molejo de amor machucado
Une beauté qui vient de la tristesse
Uma beleza que vem da tristeza
De savoir qu’elle est femme
De se saber mulher
Fait juste pour aimer
Feita apenas para amar
Pour souffrir pour son amour
Para sofrer pelo seu amor
Et pour être juste pardon
E pra ser só perdão
Faire du samba ce n’est pas raconter des blagues
Fazer samba não é contar piada
Et celui qui fait du samba comme ça n’est rien
E quem faz samba assim não é de nada
Le bon samba est une forme de prière
O bom samba é uma forma de oração
Parce que le samba est la tristesse qui danse
Porque o samba é a tristeza que balança
Et la tristesse a toujours un espoir
E a tristeza tem sempre uma esperança
La tristesse a toujours un espoir
A tristeza tem sempre uma esperança
Qu’un jour elle ne soit plus triste, non
De um dia não ser mais triste não
Comme ces gens qui se baladent par ici
Feito essa gente que anda por aí
Jouant avec la vie
Brincando com a vida
Attention, camarade !
Cuidado, companheiro!
La vie est à prendre au sérieux
A vida é pra valer
Et ne te trompe pas, il n’y en a qu’une
E não se engane não, tem uma só
Deux, même, c’est bien
Duas mesmo que é bom
Personne ne va me dire qu’il y en a
Ninguém vai me dizer que tem
Sans prouver bien prouvé
Sem provar muito bem provado
Avec un certificat passé au bureau des cieux
Com certidão passada em cartório do céu
Et signé en bas : Dieu
E assinado embaixo: Deus
Et avec une signature reconnue !
E com firma reconhecida!
La vie n’est pas une blague, mon ami
A vida não é de brincadeira, amigo
La vie est l’art de la rencontre
A vida é arte do encontro
Bien qu’il y ait tant de désaccords dans la vie
Embora haja tanto desencontro pela vida
Il y a toujours une femme qui t’attend
Há sempre uma mulher à sua espera
Avec les yeux pleins d’affection
Com os olhos cheios de carinho
Et les mains pleines de pardon
E as mãos cheias de perdão
Mets un peu d’amour dans ta vie
Ponha um pouco de amor na sua vida
Comme dans ton samba
Como no seu samba
Mets un peu d’amour dans une cadence
Ponha um pouco de amor numa cadência
Et tu verras que personne au monde ne bat
E vai ver que ninguém no mundo vence
La beauté d’un samba, non
A beleza que tem um samba, não
Parce que le samba est né là-bas en Bahia
Porque o samba nasceu lá na Bahia
Et si aujourd’hui il est blanc dans la poésie
E se hoje ele é branco na poesia
Si aujourd’hui il est blanc dans la poésie
Se hoje ele é branco na poesia
Il est trop noir dans le cœur
Ele é negro demais no coração
Moi, par exemple, le capitaine des esclaves
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Moraes
Vinicius de Moraes
Poète et diplomate
Poeta e diplomata
Le blanc le plus noir du Brésil
O branco mais preto do Brasil
Dans la ligne directe de Xangô, saravá !
Na linha direta de Xangô, saravá!
La bénédiction, Madame
A bênção, Senhora
La plus grande ialorixá de Bahia
A maior ialorixá da Bahia
Terre de Caymmi et João Gilberto
Terra de Caymmi e João Gilberto
La bénédiction, Pixinguinha
A bênção, Pixinguinha
Toi qui as pleuré dans la flûte
Tu que choraste na flauta
Tous mes chagrins d’amour
Todas as minhas mágoas de amor
La bénédiction, Sinhô, la bénédiction, Cartola
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
La bénédiction, Ismael Silva
A bênção, Ismael Silva
Votre bénédiction, Heitor dos Prazeres
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
La bénédiction, Nelson Cavaquinho
A bênção, Nelson Cavaquinho
La bénédiction, Geraldo Pereira
A bênção, Geraldo Pereira
La bénédiction, mon bon Cyro Monteiro
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Toi, neveu de Nonô
Você, sobrinho de Nonô
La bénédiction, Noel, ta bénédiction, Ary
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
La bénédiction, tous les grands
A bênção, todos os grandes
Sambistes du Brésil
Sambistas do Brasil
Blanc, noir, mulâtre
Branco, preto, mulato
Beau comme la peau douce d’Oxum
Lindo como a pele macia de Oxum
La bénédiction, maestro Antonio Carlos Jobim
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Partenaire et ami cher
Parceiro e amigo querido
Qui as déjà voyagé tant de chansons avec moi
Que já viajaste tantas canções comigo
Et il y a encore tant à voyager
E ainda há tantas por viajar
La bénédiction, Carlinhos Lyra
A bênção, Carlinhos Lyra
Partenaire à cent pour cent
Parceiro cem por cento
Toi qui unis l’action au sentiment
Você que une a ação ao sentimento
Et à la pensée
E ao pensamento
La bénédiction, la bénédiction, Baden Powell
A bênção, a bênção, Baden Powell
Ami nouveau, partenaire nouveau
Amigo novo, parceiro novo
Qui as fait ce samba avec moi
Que fizeste este samba comigo
La bénédiction, mon ami
A bênção, amigo
La bénédiction, maestro Moacir Santos
A bênção, maestro Moacir Santos
Tu n’es pas un seul, tu es tant comme
Não és um só, és tantos como
Mon Brésil de tous les saints
O meu Brasil de todos os santos
Y compris mon Saint Sébastien
Inclusive meu São Sebastião
Saravá ! La bénédiction, que je vais partir
Saravá! A bênção, que eu vou partir
Je vais devoir dire adieu
Eu vou ter que dizer adeus
Mets un peu d’amour dans une cadence
Ponha um pouco de amor numa cadência
Et tu verras que personne au monde ne bat
E vai ver que ninguém no mundo vence
La beauté d’un samba, non
A beleza que tem um samba, não
Parce que le samba est né là-bas en Bahia
Porque o samba nasceu lá na Bahia
Et si aujourd’hui il est blanc dans la poésie
E se hoje ele é branco na poesia
Si aujourd’hui il est blanc dans la poésie
Se hoje ele é branco na poesia
Il est trop noir dans le cœur
Ele é negro demais no coração
Baden Powell (Varre-Sai, Rio de Janeiro , 6 de agosto de 1937 – Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2000) / Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980). Há 57 anos, no Theatre de L’Olympia, em Paris, Elis Regina (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 17 de março de 1945 — São Paulo, 19 de janeiro de 1982) cantou “Samba da bênção”. Ela está mais viva do que nunca em nossos corações! 💞. Tradução feita por Pierre Barouh (Paris, França, 19 de fevereiro de 1934 – Paris, França, 28 de dezembro de 2016)
Avermelhou
Baudelaire
Para Anita Forrer/ em 14 de abril de 1921
Somente o poeta juntou as ruínas
de um mundo desfeito e de novo o fez uno.
Deu fé da beleza nova, peregrina,
e, embora celebrando a própria má sina,
purificou, infinitas, as ruínas:
assim o aniquilador tornou-se mundo.
Baudelaire
Für Anita Forrer/ aum 14. April 1921
Der Dichter einzig hat die Welt geeinigt,
die weit in jedem auseinanderfällt.
Das Schöne hat er unerhört bescheinigt,
doch da er selbst noch feiert, was ihn peinigt,
hat er unendlich den Ruin gereinigt:
und auch noch das Vernichtende wird Welt.
Rainer Maria Rilke (Praga, Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca, 4 de dezembro de 1875 — Valmont, Suíça, 29 de dezembro de 1926). In “Poemas”, seleção, tradução e introdução José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letras, 1993. Posted by Antonio Cicero
Tricolor: Tricampeão mundial, 20 anos
O São Paulo se tornou tricampeão mundial em 18 de dezembro de 2005, ao vencer o Liverpool por 1 a 0 na final do Mundial de Clubes da FIFA, no Japão. O gol que deu o título ao Tricolor foi marcado por Mineiro.
Minha homenagem, como são-paulino que sou, e minha recordação…