Os dez poetas americanos mais influentes e notáveis, segundo consulta que fiz

Perguntando ao Google ele apontou esses entre os poetas norte-americanos mais acessados na rede:

  1. Walt Whitman (1819-1892): Considerado um dos fundadores da poesia americana, com sua obra Folhas de Relva (1855) e seu estilo inovador que celebra a individualidade e a democracia.
  2. Emily Dickinson (1830-1886): Uma poetisa introvertida e excêntrica, cujos poemas, descobertos após sua morte, foram fundamentais para o desafio das convenções poéticas da época.
  3. T. S. Eliot (1888-1965): Embora também associado ao modernismo britânico, Eliot foi um dos mais influentes poetas e críticos literários americanos do século XX.
  4. Ezra Pound (1885-1972): Um poeta influente e um dos principais mentores do modernismo, com um estilo que muitas vezes era experimental e desafiador.
  5. Sylvia Plath (1932-1963): Uma das vozes mais potentes e reconhecidas da poesia americana, conhecida por seu estilo pessoal e introspectivo.
  6. Maya Angelou (1928-2014): Uma figura proeminente da literatura americana, cujos poemas abordaram temas como identidade, raça e injustiça social.
  7. Edgar Allan Poe (1809-1849): Famoso por seus poemas góticos e sua contribuição para o desenvolvimento do conto e da poesia nos Estados Unidos.
  8. Robert Frost (1874-1963): Um dos poetas mais populares dos Estados Unidos, conhecido por sua poesia lírica que celebrava a vida rural, mas também abordava temas filosóficos.
  9. Langston Hughes (1902-1967): Um poeta fundamental do Renascimento do Harlem, cujos versos celebravam a cultura e a experiência afro-americana.
  10. E. E. Cummings (1894-1962): Conhecido por suas experimentações com a linguagem, a tipografia e a forma poética, desafiando as normas estabelecidas.

Conclui hoje a publicação de poemas deles no blog, tarefa iniciada em 27 de setembro de 2025.

Consultem e boa leitura!

Poemas

amor é mais mais denso do que olvido
mais mais fino do que recordo
mais raro que uma onda tonta
mais frequente do que a míngua

é o mais mais louco e lunar
e menos não será ser
do que tanto mar que só
é maior do que o mar

amor é menos sempre que vencer
menos nunca do que viver
menos maior que o menor grão
menos mínimo que perdão

é o mais mais são e solar
e mais não será não ser
do que tanto céu que só
é maior do que o céu

II.

quincas abomina
todas as meninas (as
tímidas zinhas, as atrevidas
zinhas; as meigas
ciosas melosas formosas)
todas elas excetuando as
frígidas

pedro despreza todas
as meninas (as
sabidas zinhas, as burras
zinhas; as gostosas
fofas magrelas fininhas)
todas elas excetuando
as chatas

nando ama todas as
meninas (as
tortas zinhas, as mancas
zinhas; as loucas
retardadas lesadas)
todas elas
excetuando as mortas

miro admira todas as meninas
(as
gorduchas zinhas, as secas
zinhas; as largadonas
doces porcas limpas)
todas
elas excetuando as novinhas

III.

numa forma verdadeiramente
em curva
minha alma
adentra

pressente toda a
miudeza dissolvida
pela obscena suposição
da fabulosa imensidade

o céu gritou
o sol morreu)
o navio paira
sobre mares de ferro

respirando altura comendo
precipícios o
navio transpõe
murmurantes montanhas de prata

que
somem (e

era noite

e por só esta noite uma
forma prodigiosa se move
tripulada e pilotada
por espírito que o meu é

IV.

esta pessoinha de

olhos escan-
caradíssimos (qua
-se a ex-

elodir de tanta

in
-exprimív-
el

inu

-merabilid-
ade de si
mesmos) não pode

e

-ntende-
r meu ú
-nico-

e mesmo eu

V.

morrer é lindo) mas a Morte

?oh
benzinho
não

me faria bem

a Morte se a Morte
fosse
boa: pois

quando (em lugar de parar para pensar) você

começar a sentí-la, o
miraculoso por quê
de morrer? por-

que morrer é

perfeitamente natural; perfeitamente
suavizando os
termos vivo (mas

a Morte

é rigorosamente
científica
& artificial &

má & oficial)

agradecemos a ti
deus
todo-poderoso por morrer

(perdoai-nos,oh vida! o pecado da Morte

VI.

um político é um bundão sobre
o qual se sentou tudo exceto um homem

VII.

meu velho e doce etcetera
tia lucy na última

guerra podia e chegou
mesmo a te contar de que
todo mundo lutava em

prol,
minha irmã

isabel deu cria a centenas
(e
centenas) de meias sem
falar camisetas orelheiras à prova de pulgas

etcetera munhequeiras etcetera, minha
mãe esperava que

eu morresse etcetera
como um herói é claro meu pai ficava
rouco de repetir que imenso privilégio
era e se só dependesse
dele nesse ínterim a mim

mesmo etcetera estendia na paz
da lama em que afundo et

cetera
(sonhando,
et
cetera, com
Teu sorriso
olhos joelhos e com tua Etcetera)

VIII.

eu quero meu corpo quando é teu meu
corpo. É tanto tão moço que coisa.
Os músculos bem mais, os nervos demais.
eu quero teu corpo. quero-porque-quero,
quero os teus como-o-que. quero roçar a espinha
de teu corpo e os ossos, e o receio
sempre-suave-mente e aí eu
irei e irei e irei
abraçar, quero beijar aqui lá, você,
quero, afagar lento pulsar, cintilante pelo
de tua pele radiante, o-que-é-isso a vir-me
carne a carne . . . . Pupilas grandes de amor-migalhas,

e possivelmente quero o tremor

de sob mim você tanto tão moça

E. E. Cummings (Cambridge, Massachusetts, Estados Unidos, 14 de outubro de 1894 — North Conway, Nova Hampshire, Estados Unidos, 3 de setembro de 1962). Publicado na Revista Piauí, edição 16, janeiro de 2008

O negro que fala de rios

(Para W. E. B. DuBois)

Conheci muitos rios:

Conheci rios velhos como o mundo, e mais velhos que o sangue correndo nas veias humanas.

Minha alma sulcou fundo como os rios.

Banhei no Eufrates quando as madrugadas eram jovens.
Fiz minha cabana perto do Congo, que me ninava para dormir.
Vi o Nilo, e ergui as pirâmides para poder contemplá-lo.
Ouvi o Mississippi cantar quando Abe Lincoln desceu para Nova Orleans, e vi suas dobras de lama ficarem douradas com o pôr do sol.
Conheci muitos rios:
Antigos e escuros rios.

Minha alma sulcou fundo como os rios.

Langston Hughes (Joplin, Missouri, Estados Unidos, 1 de fevereiro de 1902 – Nova Iorque, Estados Unidos, 22 de maio de 1967). “The negro speaks of rivers”. In “The weary blues”, 1926

Estrofes que me marcaram

“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.”

Poema de sete faces – Carlos Drummond de Andrade (Itabira, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987)

§

“Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”

Meus oito anos – Casimiro de Abreu (Barra de São João, Distrito de Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 1839 – Casimiro de Abreu, Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1860)

§

“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.”

Motivo – Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

§

“Eu hoje fiz um samba bem pra frente
Dizendo realmente o que é que eu acho

Eu acho que o meu samba é uma corrente
E coerentemente assino embaixo”

Corrente – Chico Buarque (Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944)

§

“Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.”

Lua nova – Manuel Bandeira (Recife, Pernambuco, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968)

§

“Passarinho avuô
Foi s’imbora”

Alpendre – Oswald de Andrade (São Paulo, 11 de janeiro de 1890 — São Paulo, 22 de outubro de 1954)

§

“Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda…”

A palavra – Pablo Neruda (Parral, Chile, 12 de julho de 1904 — Santiago, Chile, 23 de setembro de 1973)

§

“No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida”

Ausência – Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980)

§

“Do veludo de minha voz
Umas calças pretas mandarei fazer.
Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer.”

A blusa amarela – Vladimir Maiakovski (Baghdati, Império Russo, 19 de julho de 1893 — Moscou, Rússia, 14 de abril de 1930)

§

“Saxífraga é minha flor que rompe
as rochas. “

Uma espécie de canção – William Carlos Williams (Rutherford , Nova Jersey , Estados Unidos, 17 de setembro de 1883 — 4 de março de 1973)

Ah, 33 delícias de nosso português…

acácia
alguidar
alhures
amiúde
amora
caramba
circunstância
colapsar
cunhã
diadema
eclipse
etéreo
fac-símile
fogaréu
gorjeia
guirlanda
magnólia
mangaio
mormente
oiro
pendão
pirilampo
pitéu
pontiagudo
profícua
quiçá
repente
sagu
simbora
tiara
turmalina
uruca
zabumba

“E se elas vierem todas
Numa guirlanda de flechas
Defenderei
Defenderei
Defenderei”

Canção e calendário – Oswald de Andrade

Vindo de Bezerros – PE mais essa pérola dita por um saudoso xilogravurista e cordelista

Esse conhecido e admirado José contou em entrevista concedida à Edna Matosinho de Pontes em fevereiro de 2013 de onde vinha a sua inspiração para a confecção de suas famosas xilogravuras, e afirmou:

“Vem daqui mesmo do que eu vejo, do que eu sinto, do que eu penso. Do que acontece, das lenda, do folclore. O dia a dia do povo, a convivência, a tristeza, a alegria. Tudo isso dá cordel e dá também gravura”.

J. Borges (Bezerros – PE, 1935 – 2024) – José Francisco Borges, começou cedo pois aos oito anos já trabalhava na terra com o pai. Foi oleiro, confeccionou brinquedos artesanais e vendeu livros de cordel. Nos anos 50 José resolveu que iria escrever cordel e daí partiu para as xilogravuras. Dono de uma técnica própria de colorir as imagens, atendia pedidos para representar cotidiano do pobre, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, os crimes, a corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, sempre ligados ao povo nordestino. Essa foto foi batida por Edna.