Foto de Flávio Eduardo Devienne Ferreira
Mês: agosto 2025
Água-viva
A cidade desce para este lugar de água
O Mondego perdeu as águas frias,
o movimento convulso dos invernos.
Ao lado da cidade, recupera olhares,
entre os choupos trémulos.
Guarda as memórias mais leves
dos jovens que amavam na desmedida:
os primeiros rubores, as palavras na pele,
os campos abertos para a casa dos desejos.
E leva longe o perfume de Inês, a sombra
do vestido no recanto mais verde do rio:
ensinando às ervinhas o nome de Pedro,
cantando a última ária de um tema de paixão.
A cidade desce para este lugar de água:
traz algumas sombras do granito, festas,
segredos de ruas inclinadas, livros.
E o ar mais leve para o tempo demorado.
Sérgio Firmino Soares Mendes (Maia, Portugal, 29 de março de 1974)
Picasso, Karel Appel, Rogério Bessa Gonçalves, Tsuruko, Felipejor, Luis Castanon e Éder Jefferson: outros destaques do blog anterior
Picasso (Málaga, Espanha, 25 de outubro de 1881 – Mougins, França, 8 de abril de 1973)
Pablo Ruiz Picasso foi um pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol, considerado um dos mais importantes e populares pintores do século XX. E, como eu mesmo disse nesse blog um dia: “O pintor Picasso / Tem oito fases: Azul, Rosa, Cubismo analítico, Cubismo sintético, Clássica, Metamorfoses, Política, Maturidade / Teve oito mulheres: Fernande, Eva, Olga, Marie-Thérèse, Dora, Françoise, Geneviève, Jacqueline / Nasceu em Málaga / Morreu no sul da França / Deixou um enorme legado Como o maior artista do século XX”.
Karel Appel (Amsterdã, Países Baixos, 25 de abril de 1921 – Zurique, Suíça, 3 de maio de 2006)
Christiaan Karel Appel, conhecido como Karel Appel foi um pintor, designer, artista gráfico, escritor e escultor neerlandês e co-fundador do grupo CoBrA, em 1948. Estudou na Rijksakademie van Bee hldende Kunsten, onde se tornou amigo de Guillaume Corneille, seu futuro companheiro no CoBrA.
Rogério Bessa Gonçalves (São Paulo, 28 de janeiro de 1960)
Arquiteto por formação, carioca de nascimento e atualmente reside em São Paulo. É Mestre em Arquitetura, Fotógrafo, Artista Plástico e Ilustrador. Como Artista Plástico, possui cinco individuais sendo duas no Centro Cultural São Paulo, bem como fotografou e ilustrou para o pocket Dois por Um em 2014, 2016, 2017. Foi ilustrador dos livros “Estopa” (2015) do autor Renato Zapata, “In Fine” (2015) do autor Marcos Maia (selecionado entre os dez finalistas para o Premio Jabuti de ilustração Literária), “Penas, Fluidos e Bisturis” (2018) com a participação de vários paulistas, produzido pelo autor e recém-lançado na Casa das Rosas. Como fotógrafo participou em 2018 com quatro imagens no livro “São Paulo em Imagens” organizado pela Matilha Cultural e Aquarela Brasileira.
Site: https://rogbessa.blogspot.com/
Tsuruko
Tsuruko Uchigasaki é bacharel em pintura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Artes pela Universidade de Brasília. Atuou como professora em várias instituições de ensino como a UFRJ, UnB e Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Atualmente dedica-se à produção de pinturas e cultivo de amoras.
Felipejor
Perdi o contato.
Luis Castañón
Luis Castañón foi artista plástico e arte-educador com vários cursos de especialização, com participação em palestras e mesas redondas. Também ministrou cursos e workshops em instituições públicas e privadas, tais como: Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), Instituto de Artes da Universidade Paulista (UNESP), Centro Cultural São Paulo, Museu de Arte Moderna (MAC Americana), Oficinas do SESC e Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, onde atuou como professor de cursos livres. Suas obras fazem parte de acervos públicos e privados e estão incluídas em várias publicações nacionais e estrangeiras desde 1981.
Éder Jefferson
Perdi o contato.
Nota: Como disse em outra postagem recente parecida com esta, volto mostrar trabalhos desses artistas acima, divulgados no passado na versão antiga do blog e não mais acessíveis pela internet, em homenagem aos 20 anos em que o meu blog está no ar, já que “Redescobrindo” iniciou-se em 22 de agosto de 2005.
À China
Coqueiral
A saudade é um batimento que rebenta assim
vinte e oito vezes desde meu ombro tatuado
de desastre até à rosa pendurada em sua boca
E o amor, neste caso específico, é um mergulho
destemido que deriva quase sempre de uma nota
climática apenas para convergir no osso frontal
do crânio do rei da ilusão — terno é o seu rosto
Senhor, os ossinhos do mundo são de mel e ouro.
Matilde Campilho (Lisboa , Portugal, 20 de Dezembro de 1982). In “Jóquei”, Tinta da China, 2014
Fotos da antiga residência de Seu Edmundo
Esses são dois retratos tirados no dia 26/04/2009 de minha velha casa na Vila Odilon, em Ourinhos-SP, onde meu pai se estabeleceu há mais de 80 anos atrás abrindo a primeira farmácia de lá, de nome “Santo Antônio”. Nessa casa convivi com meu pai até os 20 anos de idade e ela me marcou muito, sendo enredo dos meus sonhos até os dias de hoje. Meu pai a frequentou até a sua morte, mesmo vivendo em São Paulo seus últimos anos.
Fotos: Maraci Peck Mattosinho Vieira (prima)
Briluz
Nesta brisa quase suave
Nesta brisa quase suave
de plantas já anoitecidas
quase te toco entre as regas,
e entristeço.
A tua ausência é tão real
como os vastos campos de girassóis
secos, envelhecidos, quase mortos.
Alugo a voz e a expressão
a par de todos os espaços
deste lugar que se inicia.
Tudo isto é simples:
tenho o coração desarrumado.
Vem.
Filipa Leal (Porto, Portugal, 14 de março de 1979)
Ricardo Alves, Lemerci, Alice Almeida e Albert: artistas destacados na versão anterior do blog “Redescobrindo”
Ricardo Alves – Rio Claro, SP, 1988
Vive e trabalha em São Paulo, SP
Indicado ao Prêmio PIPA 2021
Seus trabalhos mais recentes têm sido marcados por um sentimentalismo que se manifesta ao trazer para a pintura os momentos decantados pela memória pessoal, reforçando um tom de cerimônia e afeto. Isso é construído com uma superfície pictórica de aspecto denso e tátil, de fortes contrastes e com a participação de faíscas, luzes e cores reluzentes. Destaca-se ainda a importância da repetição de uma variedade de figuras emblemáticas, que se incorporam paulatinamente ao universo do artista. Graduado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) participou de mostras coletivas em cidades como São Paulo/SP, Ribeirão Preto/SP, Rio de Janeiro/RJ, Belém/PA, Nova York/USA, Londrina/PR, Tsukuba/Japão, entre outras. Foi premiado nos salões de arte de Ribeirão Preto, Santo André e Guarulhos através dos quais teve obras incorporadas aos acervos públicos desses locais. Realizou as primeiras mostras individuais em 2016, na Galeria Sancovsky em São Paulo capital e no Museu de Arte de Ribeirão Preto/SP. Em 2023, participou da exposição coletiva “Bufê Dinamite”, no Caroço Projetos; e em 2024, realizou em dupla com André Bontorim a exposição “Problemas com nomes”, no Massapê Projetos, ambas em São Paulo/SP.
Site: www.alvesricardo.com
Lemerci – Nasceu em Pernambuco e cresceu em Fortaleza
É uma artista autodidata
“Le merci” é uma referência ao nome da artista plástica brasileira Miriam Merci e também a uma exposição do artista brasileiro Gustavo Rezende, intitulada “Merci Merce”. Miriam Merci é conhecida por suas obras que retratam a cultura popular do Nordeste do Brasil, enquanto a exposição de Gustavo Rezende explora seu processo criativo através de vídeo, desenho, relevos e esculturas. A artista plástica Miriam Merci recria imagens do universo tradicional do Nordeste brasileiro, utilizando cores vibrantes para retratar temas como forró, ciranda, bumba-meu-boi e a cultura negra.
Alice Almeida – Nasceu em 2000, em Almada, Portugal
Alice Almeida descobriu desde pequena que tinha como grande paixão as artes, principalmente o desenho. Tinha como grande sonho ser pintora, e com a idade, o sonho maturou para tornar-se artista plástica. Nestes últimos anos, participou em diversas exposições coletivas, tendo como maior destaque a exposição do Prémio Árvore das Virtudes de 2023, na Cooperativa Árvore, e a participação na XI Bienal de Pintura de Pequeno Formato de Alhos Vedros de 2024, em Alhos Vedros. Teve a sua primeira exposição individual em Abril de 2024, com o nome de Corpus Verum, no Tejo Bar. Teve a sua segunda exposição individual no Edifício Central do Município, Campo Grande, Ode ao Efémero. O seu trabalho gira em torno do tema da fragilidade do corpo e a procura de o proteger dessa finitude. Tende a trabalhar mais com a gravura, combinando com diferentes materiais e técnicas. Procura criar corpos a partir do original, e talvez assim, preserva-los no tempo e no espaço. Em 2022 realizou a residência artística, Quarry Sonnets, na Serra de Aire e Candeeiros, e em 2024 participou na residência artística em Lom, Water Tower Art Residency, na Bulgária.
Albert – Artista plástico
Conhecido simplesmente por Albert, Marcelo Albert é professor, desenhista, arte-finalista, artista plástico, fotógrafo, compositor, tatuador e pai. Formado na Escola Guignard- UEMG e com mestrado na ULisboa.
www.instagram.com/marceloalbert_
Nota: O blog “Redescobrindo”, editado por mim, iniciou-se em 22 de agosto de 2005 e completou 20 anos no ar nessa última sexta-feira. A sua primeira versão ficou no ar até 23 de maio de 2019 e beirou os 30 mil acessos. Em homenagem à essa data resgatei em meu computador imagens “perdidas” desses artistas acima, talentos que descobri pesquisando e navegando na época.