Raízes

Como gatos ao sol

Sombrio abismo ondulante
labirinto invertido

Dão para o desconhecido
dialogam subterraneamente de planta a planta
(também eu tenho duas plantas de bípede
mas que nem sempre se compreendem
sou membro de uma espécie alucinada e predadora)

Raízes que por vezes afloram a superfície da pedra
serpenteando

Da terra retiram o mar desaguado

Podem matar ou libertar
matar ou curar

A tua infância são as tuas raízes
elas alimentam os sonhos
quando dormes elas falam

A meio da minha vida descalcei-me e sentei
debaixo de uma árvore em cima de suas raízes
e me alimentei da sua seiva
Budha quase me despertava.

(Coimbra, jardim Botânico).

*

Escadas que dão para o céu
(ou seja para nenhures)
Ao lado na igreja da Misericórdia
latejam os sinos sinalando um funeral
E eu só queria um sinal do teu coração
(que o telefone tocasse agora
então acreditaria em auroras).
(Idanha-a-Nova, final de tarde)

*

Em lince me transformo e corro
para te anunciar que
Hoje o Sol abriu a pálpebra
rente ao chão
nas folhas do choupo
e só depois se ergueu até aos ramos
mais altos onde vai fazer ninho.

*

Manuel Silva-Terra (Orvalho, Freguesia Oleiros, Portugal, 18 de maio de 1955)

Passamos hoje a marca de um milhão e meio de páginas visitadas: 1.500.193

O blog “Redescobrindo” iniciou suas atividades em 22 de agosto de 2005, foi remodelado e modernizado em 24 de maio de 2019, estando no ar portanto há quase 20 anos. Ele já tem um total de 158.064 visitantes e 131.860 visitantes únicos, 1.977 posts publicados e 355 comentários aprovados.

“Redescobrindo” foi o título que dei para meu livro de poesia concluído em agosto de 2003 e que aqui já foi publicado na íntegra. Além dele tenho postado ao longo de sua trajetória algumas poesias e escritos novos meus, pinturas minhas e outras matérias variadas, poesias e escritos de outros artistas e escritores que julguei interessantes ao internauta. Esse painel acima mostra minha foto exibindo obras do acervo da Galeria Pontes, onde trabalho, e alguns trabalhos artísticos meus que já estamparam o blog.

Muito obrigado pelas visitas e por prestigiarem este blog que é feito com dedicação e carinho.

Um abraço e voltem sempre,

Eduardo Matosinho

Poema

difícil o parto
das palavras
neste momento em que falo
à ilha
(a minha mãe?
a minha filha?)
dizer-lhe o mar
o mato
o cinto que sinto
do aperto da espuma
a dor
o pudor da gente
que mente a distância
confunde a bruma
– quixote sem lança

Vasco Pereira da Costa (Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores, Portugal, 1948). In “Poetas dos Açores de Ruy Galvão de Carvalho”

Ana: Passeio na praia, Mulher artista e Ana coração

Ana
Artista
Comecei na teoria e me encontrei na prática ✨”
📍 Rio de Janeiro

“Me chamo Ana, sou historiadora da arte pela EBA/ UFRJ. Tenho 27 anos, nasci e cresci no Rio. Comecei a produzir em 2018 pinturas, xilogravuras, cerâmicas e bordados. Gosto de deixar fluir e produzir sobre minhas experiências. Mas não me limito a isso, sempre busco me aventurar em novos temas, suportes e formas de arte. Durante a quarentena, por exemplo, comecei a lidar com arte digital. Bom, Ana é arte. E minha arte é para o mundo. Meu objetivo é fazer minha arte voar e que ela saia dessa caixa imaculada e elitizada. Pra mim, arte deve ser acessível e compreensível. No momento estou cursando Design Gráfico na UVA e tenho feito também muitas artes digitais voltadas para produtos de papelaria como adesivos, bloquinhos e ímãs, tem sido uma grata aventura!“

Contatos:
www.instagram.com/anarstriz
anarstriz@gmail.com
https://lnk.bio/anarstriz

Obrigado

Obrigado por ser a pedra na qual às vezes tropeço.

Para aprender que após a queda é necessário se levantar.

Obrigado por ser o espinho que às vezes me fere para mostrar-me que na vida nem tudo são flores.

Obrigado por ser o amigo que sorri comigo quando estou feliz e nas brincadeiras divide comigo momentos de alegria.

Obrigado por ser esse alguém que na hora das minhas dúvidas, percebe minha tristeza e me recebe de braços abertos.

Obrigado por ser meu exemplo, meu herói e por implantar teu caráter em mim.

Obrigado por ser essa parte de mim que me faz sentir que estais presente aqui, obrigado por ser meu pai.

Costa Paula (Várzea Grande, Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1957). Poema escrito para seu pai, Abílio Antunes da Costa, e me enviado por WhatsApp pelo autor por ocasião do Dia dos Pais de 2025