Mês: janeiro 2026
Mulheres de amigos
Mulheres de amigos destroem a amizade.
No principio ocupam timidamente uma parte do amigo,
aninham-se nele,
aguardam,
observam,
e aparentemente participam do círculo.
Esse pedaço do amigo não nos pertencia –
nada notamos.
Mas logo a coisa muda:
Elas tomam um aposento após o outro,
penetram mais fundo,
logo têm o amigo inteiro.
Ele está mudado: é como se tivesse vergonha de sua amizade.
Assim como antes envergonhava-se do amor diante de nós,
agora envergonha-se da amizade diante do amor.
Não nos pertence mais.
Ela não está entre nós – já o levou.
Ele não é mais nosso amigo:
é o seu marido.
Um leve melindre permanece.
Tristemente o seguimos com os olhos.
A da cama tem sempre razão.
Kurt Tucholsky (Berlim, Alemanha, 9 de janeiro de 1890 – Hindas, perto de Gotemburgo, Suécia, 21 de dezembro de 1935)1890-1935), foi um jornalista, satirista e escritor alemão, poeta e autor de músicas de cabaré. Tradução de Paulo Cesar Souza. Publicado em um suplemento do jornal Folha de S. Paulo em 19 de fevereiro de 1988
Figuras misturadas 2
Símbolo
Quatro
de quatro 4,
de pé pra cima,
de pé pro chão,
mas sempre 4
na formação.
Quatro de quatro 4,
dos que amam a cidade
de coração,
quer com favelas,
com água ou não.
Quatro de quatro 4,
que a garotada
risca no muro,
risca no chão.
4 do Aluísio,
4 do Rio
quatocentão.
Carlos Marighella (Salvador, Bahia, 5 de dezembro de 1911 – São Paulo, 4 de novembro de 1969), foi um político, escritor e guerrilheiro comunista marxista-leninista brasileiro. Um dos principais organizadores da luta armada contra a ditadura militar brasileira. In “Poemas – Rondó da liberdade”. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994
Cata-vento (Recém emoldurado)
Auto da barca do inferno – Trecho
Frade
Deo gratias! Demos caçada!
Pera sempre contra, sus!!
Um fendente! Ora sus!:
Esta é a primeira levada.
Alto! levantai a espada! –
– Metei o diabo na cruz
como o eu agora pus…
– Saí co’a espada rasgada
e que fique anteparada.
Talho largo, e um revés,
e logo colher os pés,
que todo o al nom é nada.
Quando o recolher se tarda
o ferir nom é prudente.
Ora sus! Mui largamente,
cortai na segunda guarda!
– Guarde-me Deus d’espingarda,
mais de homem denodado!
Aqui estou tão bem guardado
como a palha n’albarda.
Saio com meia espada…
Houlá! Guardai as queixadas!
Gil Vicente (Guimarães, Portugal, 1465 – Évora, Portugal, 1536, possivelmente). In “Auto da barca do inferno (Clássicos para o vestibular)”, teatro português. Apresentação e notas de Ivan Teixeira. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996
Para tornar mais claro esse texto faço uso abaixo do trabalho “Auto da barca do inferno – Gil Vicente” feito por um grupo de cinco estudantes do Colégio Presbiteriano Mackenzie São Paulo (Higienópolis), com a participação de meu filho João Alexandre da Silva Matosinho:
Resumo da obra
Por meio da presença de dois barqueiros, o Anjo e o Diabo, eles recebem as almas dos passageiros que passam para o outro mundo. A cena passa-se num porto e portanto, um dos barcos vai em direção ao céu, e outro para o inferno. A maioria dos personagens vão para a barca do inferno. Durante suas vidas não seguiram o caminho de Deus, foram trapaceiros, avarentos, interesseiros e cometeram diversos pecados. Por outro lado, quem seguia os preceitos de Deus e viveu de maneira simples vai para a barca de Deus. São eles: Joane, o parvo, e os quatro cavaleiros. O Auto da barca do inferno é um grande clássico da literatura portuguesa. Ele possui diversas sátiras envolvendo a moralidade. Pelo destino das almas de alguns personagens, a obra satiriza o juízo final do catolicismo, além da sociedade portuguesa do século XVI. A alegoria do juízo final é um recurso utilizado pelo dramaturgo através de seus personagens (diabo e anjo). Além disso, cada personagem possui uma simbologia associada à falsidade, ambição, corrupção, avareza, mentira, hipocrisia etc.
Análise das personagens – Personagens e seus pecados
Diabo: capitão da barca do Inferno.
Anjo: capitão da barca do Céu.
Fidalgo: tirano e representante da nobreza. Teve uma vida voltada para o luxo e vai para o inferno.
Onzeneiro: homem ganancioso, agiota e usurário. Por ter sido um grande avarento na vida ele vai para o inferno.
Joane, o parvo: personagem inocente que teve uma vida simples. Portanto, ele vai para o céu.
Sapateiro: homem trabalhador, mas que roubou e enganou seus clientes. Assim, ele vai para o inferno.
Frade (Destacado no trecho acima): representante da Igreja, que vai para o inferno. Isso porque ele tinha uma amante, Florença, e não seguiu os princípios do catolicismo.
Brígida Vaz: alcoviteira condenada por bruxaria e prostituição que vai para o inferno.
Judeu: personagem que foi recusado pelo Diabo e pelo Anjo por não ser adepto ao Cristianismo. Por fim, ele vai para o inferno.
Corregedor e Procurador: representantes da lei. Ambos vão para o inferno, pois foram acusados de serem manipuladores e utilizarem das leis e da justiça para o bem e interesses pessoais.
Cavaleiros: grupo de quatro homens que lutaram para disseminar o cristianismo em vida e portanto, são absolvidos dos pecados que cometeram e vão para o céu.
Mais de João
Estudo – D. Sônia 1
A beleza viva
Ordenei, porque o pavio e o azeite se esgotaram
E gelados estão os canais do sangue,
Que o meu coração descontente retire a alegria
Da beleza extraída de um molde
De bronze ou que surja do mármore deslumbrante,
Que surja, mas quando partirmos que parta novamente
Sendo mais indiferente à nossa solidão
Que uma aparição. Ó coração, estamos velhos;
A beleza viva é para os homens mais novos:
Não podemos pagar o seu tributo de tímidas lágrimas.
William Butler Yeats, muitas vezes apenas designado por W.B. Yeats (Sandymount, Dublin, Irlanda, 13 de junho de 1865 — Roquebrune-Cap-Martin, França, 28 de janeiro de 1939). In “Os pássaros brancos e outros poemas”. Tradução de Maria de Lourdes Guimarães e Laureano Silveira. Lisboa, Portugal: Relógio D’Água Editores, 1993
Maria Alice Almeida e suas meninas em fundo negro
Maria Alice é uma artista em construção, está aberta para encomendas e para trocar ideias.
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