Mês: janeiro 2026
A Vahíne
(Pintada por Gauguin)
Negra Vahíne
tu oscura trenza hacia tus pechos tibios
baja con su perfume de amapolas,
con su tallo que nutre la luz fosforescente
y miras melancólica como el cielo te cubre
de antiguas hojas, cuyo rey es sólo
un soplo de la estación dormida en medio del viento,
donde yaces ahora, inmóvil como el cielo,
mientras sostienes una flor sin nombre,
un testimonio de la enloquecedora primavera en que moras
¿Conservará la sombra de tus labios
el beso de Gauguin, como una terca gota de salmuera
corroyendo hasta el fondo de tu infierno
la inocencia – el obstinado y ciego afán de tu ser -;
ya errante en la centella de los muertos,
lejana criatura del océano…?
¿Dónde labra la tumba
El ácido marino?
Oh Vahíne, donde existes
ya sólo como piedra sobre arenas azules,
como techo de paja batido por el trópico,
como una fruta, un cántaro, una seta
que pueblan los espíritus del fuego, picada por los pájaros,
pura en la antología de la muerte…?
No una guirnalda de sonrisas
no un espejuelo de melosas luces,
sino una ley furiosa, una radiante ofensa al peso de los días
era lo que él buscaba, junto a tu piel,
junto a tus chatas fuentes de madera,
entre los grandes árboles,
cuando la soledad, la rebeldía,
azuzaban en su alma,
la apasionada fuga de las cosas.
Porque ¿qué ansía un hombre
sino sobrepujar una costumbre llena de polvo y tedio?
Ahora, Vahíne, me contemplas sola,
a través de una niebla azotada por el vuelo de tantas invisibles aves muertas.
Y oyes mi vida que a tu pies se esparce
Como una ola, un término de espuma
o de espuma orilla.
extranãmente lejos de tu orilla.
(De Pasiones terrestres)
Enrique Molina (Buenos Aires, Argentina, 1910 – 1997). In “Los cien mejores poemas de amor de la lengua castellana”. Selección y notas de Pedro Lastra y Rigas Kappatos. Santiago de Chile: Editorial Andres Bello, 1997
Edna escrevendo
Ela está fazendo aniversário hoje: Nossos parabéns!
Biografia do orvalho
Para encontrar o azul eu uso pássaros
As letras fizeram-se para frases.
Machado de Assis
5
Na língua dos pássaros uma expressão tinge
a seguinte.
Se é vermelha tinge a outra de vermelho.
Se é alva tinge a outra dos lírios da manhã.
É língua muito transitiva a dos pássaros.
Não carece de conjunções nem de abotoaduras.
Se comunica por encantamentos.
E por não ser contaminada de contradições
A linguagem dos pássaros
Só produz gorjeios.
Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “Retrato do artista quando coisa”, Rio de Janeiro: Record, 1998
Luiza: O amor de Deus!
Paisagem de vila
Olaria

Tarda pomba, alcanzia de argila, em teu lombo de luto um signo, apenas algo que te decifra. Povo meu, como com as tuas dores nas costas, espancado e rendido, como foste acumulando ciência desfolhada?
Prodígio negro, mágica matéria elevada à luz por dedos cegos, mínima estátua em que o mais secreto da terra nos abre seus idiomas, cântaro de Pomaire em cujo beijo terra e pele se congregam, infinitas formas do barro, luz das vasilhas, a forma de uma mão que foi minha, o passo de uma sombra que me chama, sois reunião de sonhos escondidos, cerâmica, pomba indestrutível!
Pablo Neruda (Parral, Chile, 12 de julho de 1904 — Santiago, Chile, 23 de setembro de 1973). In “Canto geral”. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2001, 11ª edição. Tradução de Paulo Mendes Campos
Desenhos e variações de João
Guardião
O guardador de águas
XII
Ele tem pertinências para árvore.
O pé vai se alargando, via de calangos, até ser raizame. Esse ente fala com águas.
É rengo de voz e pernas.
Se esconde atrás das palavras como um perro.
Formigas se mantimentam nas nódoas de seu casaco.
De um turvo cheiro órfico os caracóis o escurecem.
Um Livro o ensinou a não saber nada — agora já sabe.
Estrela encosta quase em sua boca descalça.
Manoel de Barros (Cuiabá, Mato Grosso, 19 de dezembro de 1916 – Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 13 de novembro de 2014). In “O guardador de águas”, 2ª. edição, Rio de Janeiro: Record, 1998