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Olaria
Tarda pomba, alcanzia de argila, em teu lombo de luto um signo, apenas algo que te decifra. Povo meu, como com as tuas dores nas costas, espancado e rendido, como foste acumulando ciência desfolhada? Prodígio negro, mágica matéria elevada à luz por dedos cegos, mínima estátua em que o mais secreto da terra nos abre seus idiomas, cântaro de Pomaire em cujo beijo terra e pele se congregam, infinitas formas do barro, luz das vasilhas, a forma de uma mão que foi minha, o passo de uma sombra que me chama, sois reunião de sonhos escondidos, cerâmica, pomba indestrutível!
Pablo Neruda (Parral, Chile, 12 de julho de 1904 — Santiago, Chile, 23 de setembro de 1973). In “Canto geral”. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2001, 11ª edição. Tradução de Paulo Mendes Campos
Autor: ematosinho
Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).
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