Nem dá para imaginar…

““Pinturas Imaginadas” é uma exposição multissensorial onde crianças de 6 a 12 anos são as artistas e autoras. Suas pinturas nascem da fala ou sinais e ganham vida na imaginação do visitante via QR Codes. Com foco no protagonismo infantil, tanto as obras quanto a forma que elas serão expostas são pensadas por elas. Ao centralizar a acessibilidade como linguagem, o projeto subverte o olhar e transforma cada ouvinte em coautor da obra mental.

Expo Pinturas Imaginadas
Linguagem: artes visuais e acessibilidade
Data: 28 de abril a 3 de maio
Local: Vão Livre do MON
Indicação etária: livre
Ingressos: Gratuitos | É só chegar ✨”

Cintia Alves (@cintiaalvesdramaturga) – Nascida em 1972, doutora e mestra em artes cênicas, dramaturga, roteirista, diretora teatral e pesquisadora de acessibilidade estética.
youtube.com/@VozesDiversas

Museu Oscar Niemeyer – MON
Rua Marechal Hermes, 999
Centro Cívico, Curitiba – PR

Vão-Livre
Espaço amplo que pode ser utilizado para a realização de eventos como lançamentos de livros, contação de histórias e atividades de cunho cultural.

Terça a domingo
das 10h às 18h
acesso até as 17h30

Desengano e perda

Mote

Quem ora soubesse
Onde o amor nasce
Que o semeasse!

Voltas

De amor e seus danos
Me fiz lavrador;
Semeava amor
E colhia enganos;
Não vi, em meus anos,
Homem que apanhasse
O que semeasse.

Vi terra florida
De lindos abrolhos,
Lindos para os olhos,
Duros para a vida;
Mas a rês perdida
Que tal erva pasce
Em forte hora nasce.

Com quanto perdi,
Trabalhava em vão:
Se semeei grão,
Grande dor colhi.
Amor nunca vi
Que muito durasse,
Que não magoasse.

Luís Vaz de Camões (Lisboa [?], Portugal, c.? 1524 – Lisboa, Portugal, 10 de junho de 1579 ou 1580). In “Poemas de amor de Luís Vaz de Camões”. Organização Alberto da Costa e Silva. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998

Palavras 2

Machados
Que batem e retinem na madeira,
E os ecos!
Ecos escapam
Do centro como cavalos.

A seiva
Mina em lágrimas, como a
Água tentando
Repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e racha,
Crânio branco,
Comido por ervas daninhas.
Anos depois eu
As encontro no caminho —

Palavras secas, sem destino,
Incansável som de cascos.
Enquanto
Do fundo do poço, estrelas fixas
Governam uma vida.

Sylvia Plath (Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 27 de outubro de 1932 — Londres, Inglaterra, Reino Unido, 11 de fevereiro de 1963). In “Poemas”. Organização, tradução, ensaios e notas de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício Arruda Mendonça. São Paulo: Iluminuras, 1991

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Pilha de livros (https://ematosinho.com.br/?p=8473)

Nessa quinta-feira, 23 de abril de 2026, comemora-se o O Dia Mundial do Livro, data instituída pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1995 para promover o prazer da leitura, a publicação de livros e a proteção dos direitos autorais. A data homenageia grandes autores e destaca o poder transformador dos livros como instrumentos de cultura, conhecimento e diálogo entre povos.

Os óculos escuros

Esconder. Figura deliberativa: o sujeito apaixonado se pergunta, não se deve declarar ao ser amado que o ama (não é uma figura de confissão), mas até que ponto deve esconder dele suas “perturbações” (as turbulências) da sua paixão: seus desejos, suas aflições, enfim, seus excessos (na linguagem raciniana *: seu furor).

Mme de Sevigné

1. X… saiu de férias sem mim, e não me deu nenhum sinal de vida desde a sua partida: acidente? greve dos Correios? indiferença? tática da distância? exercício de um querer-viver passageiro (“sua juventude é gritante, ele não ouve”)? ou simples inocência? Cada vez mais me angustio, passo por todos os atos do roteiro da espera. Mas, assim que X… reaparecer de uma maneira ou de outra, pois não pode deixar de fazê-lo (pensamento que deveria imediatamente tornar vã toda angústia), que lhe direi? Devo esconder dele minha perturbação? – que já passou (“como vai você?”)? Fazê-la explodir agressivamente (“Não está certo, você bem que poderia…’) ou dramaticamente (“Que preocupação você me deu”)? Ou ainda, deixar passar delicadamente essa perturbação, ligeiramente, para torná-la conhecida sem afligir o outro (“Eu estava um pouco preocupado…”)? Uma segunda angústia toma conta de mim, que é de ter que decidir sobre o grau de publicidade que darei a minha angústia primeira.

* De Racine. (N. da T.)

Roland Barthes (Cherbourg-Octeville, França, 12 de novembro de 1915 — Paris, 26 de março de 1980) foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês. In “Fragmentos de um discurso amoroso” (“Fragments d’un discours amoureux”, bibliografia) / [compilado por] Roland Barthes; tradução de Hortênsia dos Santos. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora, 1981. 2ª. edição

Breve resumo da história do Brasil: A história recente

Após o golpe militar ocorrido em abril de 1964, as primeiras medidas tomadas destinaram-se a anular atos do governo anterior e reprimir aqueles que poderiam opor-se ao novo regime: revogação dos decretos de nacionalização das refinarias de petróleo e desapropriação de terras; cassação e suspensão dos direitos políticos de 378 pessoas, entre as quais três ex-presidentes, seis governadores estaduais e 55 membros do Congresso Nacional, demissão de 10.000 funcionários públicos e instauração de 5.000 investigações, envolvendo 40.000 pessoas. O movimento sindical brasileiro foi bastante atingido pelo golpe, com suas principais lideranças cassadas e intervenção nos sindicatos.

Apesar do cerceamento imposto, aos poucos, a sociedade civil foi se reorganizando após a intervenção militar. Em março de 1974, o presidente general Ernesto Geisel apresentou uma proposta de uma abertura política “lenta, gradual e segura”. A partir de 1978, o movimento sindical volta à cena política, realizando greves e manifestações no ABC paulista. Em todo o país, ressurgem, aos poucos, as organizações sindicais.

Em 1984, as gigantescas mobilizações populares em favor das eleições diretas para presidente da República tornaram clara a intenção do povo brasileiro de tomar conta de seu próprio destino, ampliando os limites do projeto político dos militares e acelerando o seu ritmo. Um cauteloso projeto de anistia política foi ampliado por uma intensa mobilização da opinião pública, a ponto de possibilitar a volta ao Brasil de praticamente todos os exilados pelo regime militar. Nos últimos tempos do regime militar ainda ocorriam intervenções nos sindicatos mais combativos, mas, frequentemente, os próprios empresários eram levados a negociar com os líderes afastados, e não com os dirigentes indicados pelo regime militar.

Depois de um longo processo de lutas, que culminou com a elaboração de uma nova constituição, finalmente, em 1989, foi restabelecida a eleição direta para presidente.

A década de 80, no Brasil, foi um período de intensa atividade política e de grave crise econômica.
Sucessivos planos de estabilização econômica foram implementados, sem êxito. No plano sindical, deve-se destacar a crescente participação das organizações sindicais na discussão dos destinos do país e seu crescente nível de organização, inclusive com a criação das Centrais Sindicais. Foram fundadas a CUT – Central Única dos Trabalhadores, a CGT – Central Geral dos Trabalhadores e a CGT – Confederação Geral dos Trabalhadores. Nos anos recentes, foi criada também a Força Sindical.

O quadro socioeconômico do país mostra um cenário de desigualdades crescentes, com o empobrecimento e a marginalização de um vasto contingente da população. Ao longo das últimas décadas, em que pese a resistência de alguns setores da sociedade, em particular o movimento sindical, a distribuição da riqueza do país tem se tornado cada vez mais perversa e mantém-se o processo inflacionário crônico.

Em 1990, os 10% mais pobres detinham 0,8% da renda nacional, enquanto os 1% mais ricos concentravam 13,9%. Em termos da distribuição da renda entre capital e trabalho, em 1988, os rendimentos do trabalho representavam somente 38%, enquanto o capital apropriava-se de 62,0%. Em 1991, o PIB (Produto Interno Bruto) foi de US$ 418.270 milhões e a dívida externa brasileira situa-se em torno de 125 bilhões de dólares.

Dos tempos do Colégio Palmares, onde estudei de 1980 a 1982, e cujas matérias de história eram ministradas pela educadora Zilda Zerbini Toscano, fundadora dessa escola, e pelo grande mestre César Barreto, que me deu aulas de história aí e no cursinho CPV, preparatório para o vestibular da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1983.