Mês: maio 2026
Desenhos e odes de Hilda Hilst

Fui pássaro e onça
Criança e mulher.
Numa tarde de sombras
Fui teu passo.
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Montado sobre as vacas
Meu duplo e eu.
E guarda-sóis de fogo
E um sol de fráguas
Mas cérebro e cascos
No breu.
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Sonhei que te cavalgava, leão-rei
Em ouro e escarlate
Te conduzia pela eternidade
A minha casa.
Hilda Hilst (Jaú, São Paulo, 21 de abril de 1930 — Campinas, São Paulo, 4 de fevereiro de 2004). In “da morte. odes mínimas”. São Paulo: Massao Ohno / Roswitha Kempf / Editores, 15 de julho de 1980
Marionete
Ave Maria no morro
Barracão
De zinco
Sem telhado
Sem pintura
Lá no morro
Barracão
É bangalô
Lá não existe
Felicidade
De arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu
Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer
E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria
E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria
Ave Maria
E quando o morro escurece
Eleva a Deus uma prece
Ave Maria
Ave Maria
E o morro inteiro
No fim do dia
Reza uma prece
Ave Maria
Ave Maria
E quando o morro escurece
Eleva a Deus uma prece
Ave Maria
Ave Maria
Herivelto Martins (Vila de Rodeio, atual município de Engenheiro Paulo de Frontin, Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1912 — Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1992). Música ouvida ontem no espetáculo “Minha estrela Dalva”, dedicado à memória de Dalva de Oliveira, de Renato Borghi no SESI-SP (Centro Cultural FIESP). Idealização de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas e com direção artística de Elias Andreato e Elcio Nogueira Seixas. No elenco: Renato Borghi, Soraya Ravenle, Elcio Nogueira Seixas e Ivan Vellame
Caneta Rotring
Canto chão
Tenho pés bem no chão
E tento até sorrir
Do ruído sem par
De riacho e mar
Porém só em vão.
Sem murmúrios ouvir:
Surdo nasci
Tenho olhos só no chão
E sofro, não nego
Não sei como são
E quão belas
No céu as estrelas.
Sem poder vê-las:
Nasci cego
Há quem perdeu o chão
Pois desconheceu
Estrelas, riacho, mar
Ouvindo e vendo viveu
Desdenhando então
O que amar:
Tolo nasceu
Eder C. R. Quintão (São Paulo, 11 de outubro de 1933) é um médico, pesquisador, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro titular da Academia Brasileira de Ciências na área de Ciências da Saúde desde 4 de junho de 2003. In “Segredos e sussurros: Contos, crônicas e poesias”. Capa e projeto gráfico de Sylvain Barré. 1ª edição impressa em 2018
Nota: Sylvain Barré é diretor de arte, animador 2D/ 3D e ilustrador, que atua há 29 anos no mercado de produção visual. Francês, nascido na Normandia e, desde 2004, possuí a produtora de animação Citronvache.
Chia-Syun Chang: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)
Chia-Syun Chang
Chia-Syun Chang, nascido em 1981 em Taichung, Taiwan, é um artista que pinta com a boca após um acidente de trabalho em 2004 que causou paralisia em seus braços e pernas. Ele começou a pintar com a boca em 2006, após se inspirar ao ver um artista que utilizava a mesma técnica. O trabalho de Chang destaca a capacidade de superação e a persistência, transformando desafios físicos em arte. Chang é membro da APBP (Associação dos Pintores com a Boca e os Pés).
👨🎨 Artista plástico da APBP
Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Acrílica
Título da obra: “Folhas de outono”
APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés. Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://www.vdmfk.com/es/artistas/chang-chia-syun/
https://apbp.com.br/home
Borboletando
Borboleta
Mal saíra do casulo
para mostrar ao sol
o esplendor de suas asas
um pé distraído a pisou.
(A visão da beleza
dura um só instante
inesquecível.)
José Paulo Paes (Taquaritinga, São Paulo, 1926 — São Paulo, 9 de outubro de 1998). In “Socráticas: poemas”. São Paulo: Companhia das Letras, 2001