Vladimir Herzog: Ato religioso recriado 50 anos depois

O ato ecumênico que desafiou ditadura na morte de Herzog que ocorrerá hoje na Catedral da Sé resgata cerimônia que reuniu Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel e Jaime Wright contra versão de suicídio. Será celebrada por Dom Odilo Pedro Scherer, auxiliado por um rabino e por uma presbitera. Cinco décadas depois, o novo ato ecumênico será dedicado não apenas à memória de Herzog, mas também a todas as famílias que perderam entes queridos durante a ditadura. A história mostra que há 50 anos, em 25 de outubro de 1975, foi assassinado o jornalista e cineasta Vladimir Herzog. Vítima da ditadura, tornou-se uma figura fundamental para a construção da nossa democracia. Nessa ocasião, oito mil pessoas se reuniram na Sé em memória do jornalista. Ele foi assassinado nas dependências do DOI–Codi paulista. O regime militar divulgou a versão de que o então diretor da TV Cultura teria se enforcado em uma cela, com o cinto do macacão que vestia. A reação da sociedade civil foi imediata. Três anos depois, coube ao jovem juiz Márcio José de Moraes julgar a ação movida pela família de Herzog contra o Estado brasileiro, ainda sob a vigência do AI–5.

O saudoso amigo Fernando Pacheco Jordão (1937 – 2017) conta tudo em seu livro “Dossiê Herzog: prisão, tortura e morte no Brasil” (Imagem abaixo). Muito amigo de Vlado e dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato, Fernando escreveu esse livro, que já está na sétima edição, revista e ampliada, e constitui documento fundamental para a História do Brasil.

25 de outubro – Ato Inter-religioso 50 anos por Vlado

A programação prevê acolhida a partir das 19h, com participação do Coro Luther King, seguida de manifestações interreligiosas, com a presença de Dom Odilo Pedro Scherer, da reverenda Anita Wright – filha de Jaime Wright, e do rabino Rav Uri Lam.

Apresentações culturais com grandes nomes da música brasileira acontecerão no interior da catedral. Além disso, a exibição de vídeos especialmente produzidos para a ocasião estão previstos, entre eles, a leitura de uma carta de Zora Herzog, mãe de Vlado, feita pela atriz Fernanda Montenegro.

Estarão presentes no evento ainda amigos e familiares de Vlado, parlamentares, ministros, figuras públicas e José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, representando as organizações realizadoras.

Serviço | Data: 25 de outubro de 2025 (sábado) | Horário: 19h | Local: Catedral da Sé – Praça da Sé, São Paulo – SP | Evento gratuito e aberto ao público.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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