Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre e sua!
Mas que na força se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego
Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
Olavo Bilac (Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 1865 — Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 1918). Foi um dos maiores expoentes do parnasianismo brasileiro, movimento, originalmente francês, que se intensificou em meados do século 19, e que propunha a retomada de uma cultura clássica. O preciosismo da escrita, a valorização da estética e a métrica rigorosa eram as tônicas da escola literária parnasiana. Este é um de seus mais conhecidos poemas e representa com clareza os ideais do parnasianismo, tanto na métrica quanto no conteúdo