Arraial d’Angola de Paracatu,
Arraial de Mossâmedes de Goiás,
Arraial de Santo Antônio do Bambé,
vos ofereço quibebê, quiabo, quitanda, quitute, quingombô.
Tirai-me essa murrinha, esse gôgo, esse urufá,
que eu quero viver molecando, farreando, tocando meus ganzás!
Arroio dos Quilombos de Palmares,
Arroio do Desemboque do Quizongo,
Arroio do Exu do Bodocô,
vos ofereço maconha de pito, quitunde, quibembe, quingombô.
Assim, sim!
Arraial d’Angola de Paracatu,
Arraial do Campo de Goiás,
Arraial do Exu do Aussá,
vos ofereço quisama, quinanga, quilengue, quingombô.
Tomai acaçá, abará, aberém, abaú!
Assim, sim!
Tirai-me essa murrinha, esse gôgo, esse urufá!
Vos ofereço quitunde, quitumba, quelembe, quingombô.
Jorge de Lima (União dos Palmares, Alagoas, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953). In “Novos poemas; poemas escolhidos; poemas negros”, Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 1997