Escrito delirante

Fodam-se
Poeta
Poetas, filósofos,
office boys e demais bobos
Um viva para as prostitutas da Luz
A bênção aos macumbeiros e pais de santo
Quero neste meu grito irresoluto saudar as figu-
ras da rua e da boemia
que agridem o céu da cidade

A Luz:
A Luz é mais que um grito
É um desespero nessa cidade de
caráter latino
Suas torres, seu relógio pontual
O dia a dia sem desespero
Calmo? Mais barulhento
Dessa cidade que é São Paulo, velha de guerra
Gosto de Oswald de Andrade e queria que ele me comesse…
Me empanturre de Antropofagismo (*)
O Brasil é bem isso: Terra de gente cretina
Onde falta poesia e poetas
Temos excesso de concreto nas ruas
e na cabeça das pessoas
Mário de Andrade também foi grande
Macunaíma nos faz vibrar com seu humor
bem brasileiro
E assim vai-se esse discurso de bêbado em
fim de noite.

(*) Refiro-me ao Movimento Antropofágico (1928), liderado por Oswald de Andrade, como metáfora para “devorar” culturas estrangeiras, reelaborá-las e criar uma arte nacional original.

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 18 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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