Poema da noite

A Narcisa Amália

Teus cantos o esplendor e a formosura
Da noite exalçam… Lânguido arrepio
Percorre as folhas… Que fragrância pura
Respira em torno o laranjal sombrio!

Doce palpita a brisa na espessura
Das sebes vivas… Suspiroso, o rio
A ribanceira em flor beija, e murmura
A espreguiçar-se no seu leito frio…

E um poema de amor que eu ouço; há tantas
Rosas a abrir no campo: e, cento e cento,
Rompem astros no páramo infinito…

Canta! Eu releio o poema que tu cantas.
Nessa página azul que o firmamento
Desdobra, todo em letras de ouro escrito…

Raimundo Correia (São Luís, Maranhão, 13 de maio de 1859 — Paris, França, 13 de setembro de 1911). In “Aleluias”, 1891

Nota: Narcisa Amália (São João da Barra, Rio de Janeiro, 3 de abril de 1852 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 1924) foi um ídolo feminino do final do nosso Romantismo após publicar, em 1872, o livro “Nebulosas”, que alcançou grande repercussão. De feição condoreira, com visível influência de Castro Alves. “Poema da Noite” é um registro do encontro entre o futuro grande parnasiano e o nome feminino mais notável do nosso Romantismo

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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