Pintaria-te de bromo, para mostrar tua força diferente. Somente a cabeça. Errada e ajustada.
O resto do corpo não importaria a diferenciação de cor, pois é igual em todas as mulheres. Pena que tu não mostra-o.
Tuas mãos pintaria de uma cor tênue, pois pretendo tê-las frágil, teus afetos me abalam. Teus pés fincaria no chão para que tu estejas lá quando eu precisar, e, ao mesmo tempo, tuas mãos estariam livres e poderiam apanhar o que quisessem. Menos as minhas mãos. Afaste de mim o teu corpo, pois me faz perder os sentidos.
Não quero que toques em mim, pois tu me confundes. Mostre todas as tuas cores, mulher. Que tu não sabes o que é um corpo! Usam-te e nem te observam. Gastam-te, embriagando-se nos dedos e ficando com a língua cansada. Não é pura e simples a tua procura pelo escuro. Tens medo! Abre tuas asas, quero ver o teu alçar. Desfile para mim, mulher. Mostre teu corpo volumoso, cheio de variações, que eu o pintarei com a cor do carmim.
Achas que te exalto – mas basta que não me percebas te observando. Tens a mente longe em uma cidade distante, imaginando teu amor impossível… Sei que não tens o pensamento voltado para a vingança contra o teu patrão. Desfile. Volteie. Striptease-se o que já está sem nada. Tire a tua aura. Mostre-me a tua figura vívida da vida.
Achas-me ridículo! Louco! Erotizado! Ahhom… Eu te imagino uma dama, desfilando, abarrotada de tua roupa casual e prestes a pegar o teu vestido “saideira” que não carece para brilhar.
Não me deixes! Eu sou um pintor e tu és a obra incompleta do mundo. A mim resta pintá-la e quem sabe, após tu estar colorida, expô-la, pois tua cor não será nem um pouco obscura.
08/08/80 – S.P.