
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz “lata”
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz “meta”
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz “lata”
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz “meta”
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo-nada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora
Gilberto Gil (Salvador, Bahia, 26 de junho de 1942). Canção de 1982 do álbum “Um banda um”. Me deparei com essa letra de música em janeiro de 1984 quando fui aprovado no vestibular da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) para cursar a graduação em Ciências Econômicas (e acabei não fazendo por lá). Nele o avaliador perguntava no texto 1: “A metáfora é a figura de linguagem identificada pela comparação subjetiva, pela semelhança ou analogia entre elementos. O texto de Gilberto Gil brinca com a linguagem remetendo-nos a essa conhecida figura. O trecho em que se identifica a metáfora é:” E a alternativa correta foi a “E” (“Que determine o conteúdo em sua lata”), pois “O autor faz uso de uma metáfora ao dizer que não se deve pedir que um poeta “determine o conteúdo em sua lata”. A lata do poeta pode ser sua cabeça, seu processo artístico, sua criação etc. Para o autor, não se pode exigir que um poeta se limite. A alternativa correta é alternativa E.”