a palavra é a consanguinidade divina
ininterrompida
na persistência de uma miragem
melancólica
antagônica
e cubista
o que vejo agora são
as palavras no espelho
folhas vestidas
de verdes intensos
renascendo ao corte
rente ao chão
porque a vida
sempre vence
mãe
a vida nunca se põe
Luis Osete (Cardeal da Silva, Bahia e radicado em Petrolina – Pernambuco). In “Maracujá interrompida”, Recife: Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, 2025. Foi o vencedor do Prêmio Jabuti 2025, na categoria Escritor Estreante – Poesia, do Eixo Inovação e essa obra foi também a grande vencedora do 8º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura. Trata-se de “um longo poema sobre a suspensão e a elaboração do luto materno, em que o eu lírico observa a grande perda refletida na paisagem, travando um diálogo com a ausência presente”