Maracujá interrompida (trecho)

a palavra é a consanguinidade divina
                                       ininterrompida
na persistência de uma miragem
                                       melancólica
                                       antagônica
                                       e cubista
o que vejo agora são
                                     as palavras no espelho
                                     folhas vestidas
                                     de verdes intensos
                                     renascendo ao corte
                                     rente ao chão
                                     porque a vida
                                     sempre vence
mãe
                                     a vida nunca se põe

Luis Osete (Cardeal da Silva, Bahia e radicado em Petrolina – Pernambuco). In “Maracujá interrompida”, Recife: Companhia Editora de Pernambuco – Cepe, 2025. Foi o vencedor do Prêmio Jabuti 2025, na categoria Escritor Estreante – Poesia, do Eixo Inovação e essa obra foi também a grande vencedora do 8º Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura. Trata-se de “um longo poema sobre a suspensão e a elaboração do luto materno, em que o eu lírico observa a grande perda refletida na paisagem, travando um diálogo com a ausência presente”

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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