Nunca fui aluno de nenhum mestre, tão pouco pertenci a qualquer escola. Possuo um estilo de pintura que eu mesmo desenvolvi, à custa de muito esforço e perseverança, o qual é facilmente identificável. A título de brincadeira, eu o denominei de “mabismo”. Mas esse estilo também foi sofrendo modificações com o decorrer do tempo. As pessoas dizem que ele representa a fusão do oriente com o ocidente, sendo a expressão da poesia lírica, mas eu creio que a minha pintura representa a mim mesmo. Segundo as palavras de um pintor amigo, Kazuo Wakabayashi, eu sou um exemplo raro, entre os japoneses de minha geração, que não teve a experiência da guerra. Diz ele: os japoneses que estavam no Japão, durante a segunda guerra mundial, tornaram-se retraídos, devido a derrota. Mas, o Mabe, que estava no exterior, manteve a sua alegria natural, a qual consegue expressar na sua pintura.
16 de setembro de 1994
Manabu Mabe (Kumamoto, Japão, 14 de setembro de 1924 — São Paulo, 22 de setembro de 1997). In “Chove no cafezal” ou “Nihon keizai shimbun”, São Paulo, 1994. p. 86. Embora ele seja mais conhecido por suas telas e gravuras abstratas, ele deixou alguns relatos e os mais famosos expressam sua relação lírica com a arte e podem ser lidos nos sites da Galeria de Arte Lívia Doblas e a da Smart Gallery