Um negro,
um branco
um forte abraço mútuo,
o mesmo alvo sorriso.
O pensamento: bandeiras verdes e brancas.
Um amarelo,
um negro,
destinos que se ligam,
o mesmo rubro sangue.
O pensamento: bandeiras verdes e brancas.
Um branco,
um amarelo,
um aperto de mãos,
a mesma dor humana.
O pensamento: bandeiras verdes e brancas.
Um negro,
um amarelo,
um branco,
o mesmo homem
em cores caleidoscópicas:
o mesmo alvo sorriso,
o mesmo rubro sangue
a mesma dor humana:
O mesmo pensamento: bandeiras verdes e brancas!
1957
Vasco Cabral (Farim, Guiné Portuguesa, 23 de agosto de 1926 – Bissau, Guiné-Bissau, 24 de agosto de 2005) foi um escritor e político de Guiné-Bissau. Sobre ele escreve Luís Carvalho: Estudou em Portugal, formando-se em Ciências Econômicas e Financeiras pela Universidade Técnica de Lisboa. Foi militante do MUD juvenil, movimento unitário de oposição à ditadura fascista, fortemente influenciado pelo PCP. Foi preso político em 1953, no Aljube e em Caxias, por sua atuação contra o regime de António de Oliveira Salazar. Tornou-se um dos principais dirigentes do Partido Africano pela Independência de Guiné Bissau e Cabo Verde (PAIGC) e foi comandante político da guerrilha de libertação nacional. Com a independência da Guiné Bissau, desempenhou funções no Governo (Foi ministro da Economia e das Finanças, ministro da Justiça e vice-presidente da Guiné-Bissau). In: “Antologia poética da Guiné-Bissau”, 1990