Heresia / Heresy

Às vezes questiono por um segundo
Se a poesia pode mudar o mundo.
Na era de um elétrico pragmatismo,
Vi-me chocada, num rápido ceticismo.

A moda é o estético e o imagético,
E isto poemas são em nível esquelético.
Porém, qual é o real valor da estética
Mesmo quando ela ousa ser poética?

A poesia tem tantas significâncias…
Porém, em um tempo resumido pela ânsia
E pelo aquecimento global, que agora é real,
Rimas me soam como um disparate total!

Mas na minha carne mora alma de poeta,
E uma seta não ousa trair sua meta!
Seja lá onde for, devo seguir este rumo
De cometa violeta. Eu sei lá quando sumo!

Além de um sentido interno de missão,
O universo constrói e visita a mansão.
Muito além de tudo o que altera e impacta,
A poesia permance mutante e intacta.

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Sometimes I question for a second
If poetry can change the planet.
In the age of an electric pragmatism,
I find myself shocked, in a quick skepticism.

The fad is aesthetic and imagetic,
And poems are these on a skeletal level.
However, what is the real value of aesthetics
Even when it dares to be poetic?

Poetry has so many significances…
But in a time of deafness to nuance
And by global warming, if I am to condense,
Rhymes sound like total nonsense

But in my flesh lives a poet’s soul,
And an arrow doesn’t dare to betray its goal.
In as much as its solid, here’s some truth one can’t planish:
Just like a violet comet, who knows when I’ll vanish?

In addition to an internal sense of mission,
The universe builds and visits its mansion.
Far beyond anything that alters and impacts,
Poetry remains mutant and intact.

Fernanda Spinelli (Santos, São Paulo) is a poet and transpersonal psychologist. She has also been teaching English for the past 18 years. She has published the book “Síntese de Passageiro” (2020) and the anthology “Paninos Eternos” (2022). Poetry is music for her, being rhythm and musicality a hallmark of her poems. It goes without saying that music is among her greatest passions, as much as travelling – life itself is her most cherished passion, though

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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