Em “O canto da estação” lê-se:
“Pequena estação, pequena estação, que alegria te devo. Olhas todos os lados, à direita, è esquerda e por trás também. Tuas bandeiras tremulam desvairadamente, porque sofrer? Deixemos passar, não somos já muito numerosos? Tracemos com o giz branco ou o carvão preto a alegria e seu enigma; o enigma e sua afirmação. Sob os pórticos há janelas; a cada janela um olho nos olha e atrás as vozes nos chamam. É a nós que vem, a alegria da estação, é de nós que sai transfigurada.”
Em manuscrito de 1912 De Chirico já afirmava, eu o cito:
“Viver no mundo como em um imenso museu de estranhezas, cheio de brinquedos curiosos, multicolores, que mudam de aspecto, que às vezes como crianças quebramos para ver como são feitos por dentro (…).”
Giorgio de Chirico (Vólos, Grécia, 10 de julho de 1888 — Roma, Itália, 20 de novembro de 1978) foi um pintor italiano. Fez parte do movimento chamado pintura metafísica, considerado um precursor do surrealismo. In “Giorgio de Chirico e o enigma de um dia entre texto e imagem”, de Mariana Karina Ribeiro, mestranda em História da Arte – IFCH/ Unicamp, III Encontro de História da Arte – IFCH/ Unicamp, 2007. “O canto da estação” é um famoso poema em prosa escrito por esse pintor italiano, pai da pintura metafísica. A obra reflete seu repertório visual clássico, abordando a estação de trem e o trem como símbolos de memória, mistério e partida. Através deste poema, que evoca a atmosfera de suas pinturas, de Chirico traduz a melancolia, o mistério, o tempo e a partida para a linguagem escrita