A um homem qualquer

Tu que vês a lua traçar o arco da tarde
e tens a certeza de que o sol prossegue seu conciso incêndio,
tu que já sentiste o vidro do mar,
sabes o gume do tempo, o rumor no pulso, o gosto do fel e do pão –
.                                       consentes prender teu grande cuidado
em cifras, jogos, adições inertes, nomenclaturas?
.                         Aceita! aceita tudo
como um fardo, talvez uma paga,
um resgate,
.                     todavia rebela-te
e iça as veias quando o vento vier
.                                                 que o resto é indigno de ti

José Paulo Moreira da Fonseca (Rio de Janeiro, 13 de junho de 1922 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2004) foi um escritor, poeta, ensaísta, teatrólogo, pintor e crítico de arte, e um dos mais importante nomes da poesia brasileira das gerações dos anos 40 e 50, tendo sido indicado algumas vezes para a Academia Brasileira de Letras. Foi o primeiro vencedor da categoria “Poesia” no Prêmio Jabuti, e levou o prêmio na edição inaugural de 1959 com o livro “Três livros”. Venceu também, em 1974 esse mesmo ´prêmio de poesia, com o livro “Luz e Sombra”. In “Antologia Poética”, Editora Leitura S. A.
Nota: A categoria “Poesia” foi criada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) já na primeira edição do Prêmio Jabuti, em 1959. O objetivo do Jabuti nessa categoria, é premiar autores de livros de poesia publicados no ano anterior ao da cerimônia. Até 1992, havia apenas um vencedor por categoria. Em 1993 e 1994, foram definidos até cinco vencedores em cada categoria. A partir de 1995, os três primeiros colocados passaram a ser considerados vencedores (as exceções foram de 2002 a 2005, quando o segundo e o terceiros colocados receberam o prêmio como “menção honrosa”). A partir de 2018, apenas o primeiro colocado voltou a ser considerado vencedor da categoria

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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