Luis Buñuel , sempre Buñuel

“Na pequena casa no México onde espera tranquilamente a morte sem um além — “sou ateu, graças a Deus” —, o cineasta Luís Buñuel comemorou há dias seus 82° aniversário. A não ser pela visita de alguns amigos, nada perturbou o ritual dessa vida de monge, marcada por dois momentos, ao meio-dia e às seis da tarde, horas em que prepara com zelo amoroso um martini seco. Desse último “tempo morto” de uma vida que finda, Buñuel envia uma mensagem explodindo de saúde, recheada de lembranças surpreendentes, um livro escrito com a cumplicidade afetuosa de Jean-Claude Carriere.
“Meu último suspiro” tem as marcas dos seus filmes: clareza inocente e simplicidade sem floreios que geram um sentimento de misteriosa estranheza. Ao longo de sua vida, Buñuel atravessou revoluções — dos costumes, das artes, das nações. Ainda estudante, seus dois melhores amigos foram Garcia Lorca e Salvador Dali.
(…)
A sua avaliação dessa “revolução” em relação ao seu passado, ao qual permanece fiel sem qualquer remorso, é singularmente severa. Com a ternura contida e a firmeza secreta que são suas características, reconhece que triunfou apenas no acessório — o sucesso artístico e o êxito cultural —, mas que fracassou no essencial: transformar o mundo e a vida.
Nesse quadro de tons cinzentos, mas pontilhado de humor na sua espera pela morte, Luis Buñuel renega os gritos de sua juventude e murmura: “Abaixo o amor louco! Viva a amizade!”. Verdades de outra idade, ditas com o distanciamento do pudor, a beira do último suspiro, por um homem que, ignorando o próprio mito, jamais se tomou por Luis Buñuel.”

Autor: ematosinho

Eduardo Matosinho tem 61 anos, nasceu em Ourinhos - SP em 1964 e é economista e sociólogo com bacharelados pela Universidade de São Paulo (USP). É casado com Luiza Maria da Silva Matosinho e com ela tem um filho de nome João Alexandre da Silva Matosinho. Mora em São Paulo e trabalha na Galeria Pontes, dedicada à arte popular brasileira contemporânea (https://www.galeriapontes.com.br/), onde já está há 19 anos. Sempre apreciou pintar e pesquisar sobre a história da arte e seus artistas. Começou a estudar artes plásticas em sua juventude vivida em sua cidade natal com o professor Francisco Claudio Granja (1976-1978). Em São Paulo estudou desenho e pintura em cursos ministrados em um Ateliê Livre por Valdir Sarubbi (1980–1983 e 1998–2000) e pintura com Selma Daffrè (2000-2003).

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