Sob a luz de Matisse

Matisse disse um dia: “O autêntico criador não é apenas um ser dotado, é um homem que soube ordenar em vista de seus fins todo um feixe de atividades, cujo resultado é a obra de arte.”

E Marco Catalão escreve: “Como Cézanne, Rodin, Maillol e Renoir, figuras que aparecem ao longo dos Escritos como modelos em diferentes aspectos, Matisse parece ter um único fervor e uma única ambição: cumprir seu trabalho. (…) E “confessa a Louis Aragon: “Preparei longamente meu ofício. É como se até agora eu estivesse apenas aprendendo, elaborando meus meios de expressão. (…) É como se eu estivesse me preparando para iniciar a grande composição. (…) Como se eu tivesse a vida inteira à frente, enfim, toda uma outra vida… Não sei, mas a busca de signos, foi absolutamente necessário que eu preparasse, buscando os signos, um novo desenvolvimento da minha vida de pintor… Talvez no fundo, sem saber, eu acredite numa segunda vida… em algum paraíso onde farei afrescos…”.

Henri Matisse (Le Cateau-Cambrésis, França, 31 de dezembro de 1869 — Nice, França, 3 de novembro de 1954) foi um artista francês, conhecido por seu uso da cor e sua arte de desenhar, fluida e original. Foi um desenhista, gravurista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor. Tirado de um trecho de um escrito de Marco Catalão feito em 2 de fevereiro de 2008 e publicado no site do “Le Monde Diplomatique Brasil”

Ronaldo Cupertino da Silva: Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)

Ronaldo Cupertino da Silva

“Ficou tetraplégico em 1992 durante um mergulho em águas rasas de um riacho. Autodidata, começou a pintar e escrever com a boca após alguns anos do acidente. Ronaldo adora observar a natureza, suas cores, suas sombras e sentir a energia das plantas. Nascido em 09/08/1968, vive em Jaboticatubas – MG.”

👨‍🎨 Artista plástico da APBP

Estilo de pintura: Com a boca
Técnica: Acrílica sobre a tela
Título da obra: “Campo feliz”

APBP Brasil
Arte
A APBP é parte de uma associação internacional de artistas que, devido à sua deficiência física, pintam belas obras de arte com a boca ou os pés.

Contatos:
APBP – Rua Tuim, 426 – Moema – São Paulo/ SP – CEP: 04514-101
(11) 5053-5100
apbp@apbp.com.br
https://apbp.com.br/project/ronaldo-cupertino-da-silva/
https://apbp.com.br/home

Deserto II

Deito nas dobras do delírio
e busco soluções.

*

Hoje tenho as mãos pequenas
só escreverei nomes pequenos.

*

Durmo
abraçado ao maremoto silencioso.

Macaio Poetônio (São Paulo, 1990), poeta, editor e designer gráfico. In “Leopardos maciços”

José Prado Neto: Série “Oferendas”

“Sou José Prado, artista visual, arquiteto e psicanalista.

Paulistano por adoção, natural de Bebedouro/ SP, vivendo em São Paulo desde 1968. Iniciei meus estudos superiores na Escola Politécnica de São Paulo, mas me transferir para a FAU/ USP onde me formei arquiteto urbanista em 1976. Foi na Faculdade de Arquitetura que tive minha formação em artes visuais como os artistas/ professores Flávio Motta, Renina Katz, Flávio Império, entre outros.

Depois como professor de arquitetura ensinei desenho no laboratório de linguagem arquitetônica da FAU/ USJT.

Minha fruição da arte e contato com os grandes mestres iniciou-se no MASP Museu de Arte de São Paulo, onde eu fiz um curso de história da arte. E depois na Pinacoteca de São Paulo, onde dei aula arquitetura, na faculdade da Belas Artes, então ali localizada, por muitos anos.

Posteriormente em viagens internacionais tive oportunidade de ampliar meu repertório de arte, em estudos e observações em importantes museus da Europa, especialmente no Museu do Louvre e no Museu de Orsay, onde encontrei meu grande mestre: Henri Matisse, que fortemente me influenciou com seu desenho livre e suas cores forte e exuberantes.

Foi a pandemia com os seus isolamentos compulsórios e os atendimentos remotos de meus analisandos, que me predispôs a produção artística, primeiro com a utilização de pincéis hidrográficos e posteriormente com a técnica digital.

Meus trabalhos atuais são desenhos digitais desenvolvidos no programa PicCollage, buscando uma expressão gestual, tendo como base visual os grafites urbanos.

Utilizando em sua execução uma paleta de cores fortes, de luminosidade tropical, em linhas e planos sobrepostos.

Que para mim resultam composições expressionistas de grande carga simbólica.”

José Prado Neto – Artista, arquiteto, urbanista, contista e psicanalista

Contatos:
www.instagram.com/josepradoneto
WhatsApp: (11) 9 9846-0868

Samba pras moças

Meu candiá encandiou
Eu fui no samba
E vi sambar o meu amor

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Curió bebeu a água
Mas inda tem coco
Mel de engenho com cachaça e alegria
Um pouco

Morena que tá sambando
Não deixa ninguém sambar
Meu amor tá perguntando
Se o samba é pras moças

Se o samba é de moça só
Se o samba é de moça

Se o samba é de moça só
Se o samba é de moça
Ô Encandeia

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Meu amor tá perguntando
Como coisa que eu soubesse
E de lá eu vinha
Se lá estivesse

Meu amor na roda, valha-me Deus
Fica num chamego, valha-me Deus
Cada umbigada, valha-me Deus
É um desassossego, valha-me Deus

Meu amor na roda, valha-me Deus
Fica num chamego, valha-me Deus
Cada umbigada, valha-me Deus
É um desassossego, valha-me Deus

Ô de lá, ô de lá
Dona da casa, eu vim lá de cima sambar
E só vou embora quando meu amor mandar

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Curió bebeu a água
Mas inda tem coco
Mel de engenho com cachaça e alegria
Um pouco

Morena que tá sambando
Não deixa ninguém sambar
Meu amor tá perguntando
Se o samba é pras moças

Se o samba é de moça só
Se o samba é de moça

Se o samba é de moça só
Se o samba é de moça
Ô Encandeia

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Meu amor tá perguntando
Como coisa que eu soubesse
E de lá eu vinha
Se lá estivesse

Meu amor na roda, valha-me Deus
Fica num chamego, valha-me Deus
Cada umbigada, valha-me Deus
É um desassossego, valha-me Deus

Meu amor na roda, valha-me Deus
Fica num chamego, valha-me Deus
Cada umbigada, valha-me Deus
É um desassossego, valha-me Deus

Ô de lá, ô de lá
Dona da casa, eu vim lá de cima sambar
E só vou embora quando meu amor mandar

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Encandeia, encandeia
Encandeia, encandeia
Meu candiá

Grazielle Lima Ferreira e de Roque Augusto Ferreira (Nazaré das Farinhas, Bahia, 12 de março de 1947), interpretada lindamente por Zeca Pagodinho (Rio de Janeiro, bairro de Irajá, 4 de fevereiro de 1959) e lançada no álbum “Samba pras moças” em 1995 pela gravadora PolyGram, nono disco desse artista. “Candiá” (ou candeeiro) é uma lamparina do interior ou candelabro, símbolo de ancestralidade e muito presente na cultura popular. “Encandeia” vem do verbo encandear, que significa iluminar intensamente, deslumbrar, ou ofuscar a visão pelo excesso de luz. Assim, a frase evoca uma energia contagiante: “Ilumine a minha luz/ chama”

Un poema de Wifredo Lam: Nuevo mundo

Luz
al grito que lanzara
el vigía a la una de la madrugada,
una noche de octubre de 1492
responde la voz de Cristóbal Colon:
“Es tierra”
La tierra es maravillosa,
Perpetua viajadora dentro
de un espacio sin límites.
Brotado de los cuatro puntos cardinales,
el hombre se vuelca
hacia el Nuevo Mundo,
cuando Cuba se transforma
en la encrucijada
donde se reúnen todos los bergantes,
amos, proveedores
de esclavas y esclavos.
Mientras se va despoblando
el continente africano,
la España castellana
envía a sus segundones,
sus judíos y sus árabes
– Isabel la Católica expulsa a todos
los convertidos y vacía las prisiones–
para poblar el Nuevo Mundo.
Para que así conquisten su libertad:
libertad de domesticar a los salvajes
y explotarlos hasta la muerte.
Sed de oro, voluntad de potencia
y de independencia.
Más tarde llegaron los demás:
Catalanes, Gallegos… y,
finalmente los Chinos.
Estos son los antepasados
que reclama Wifredo Lam y,
más que nadie,
representa él la herencia
de la convulsión del hombre y de la tierra.
El Nuevo Mundo.
La tierra de Cuba,
durante tanto tiempo aislada
en medio del mar de Caribes,

un mar infestado de tiburones
piratas, esclavos, y rebeldes de toda clase.
En la familia,
se cuenta (por supuesto del lado africano)
que sus antepasados
eran de los más granados:
brujos y reyes. Pero él
primero que afirmó su personalidad,
según memoria de hombre,
fue José Castilla,
denominado Mano Cortada.
Nacido en Las Villas,
en el pueblo de los Remedios,
este mulato, terrateniente
defendió severamente
la dignidad de su vida;
católico por elección
le engañó un europeo,
un español, naturalmente,
que lo llevó ante la justicia
y le hizo perder la causa ante
el tribunal civil, cuando esta había
sido ganada ante el tribunal de la Inquisición.
Furioso por no habérsele hecho justicia,
golpeó a su enemigo con un puñetazo
tan violento que le mató.
El mismo tribunal de la Inquisición
que le había absuelto la primera vez
le condenó entonces,
pero por el último crimen. Se le embargó
la hacienda, la cual sirvió
para crear una plaza y edificar
una iglesia en Los Remedios,
que debía denominarse
la Iglesia de Cristo.
La mayor crueldad del tribunal
consistió en mandar que se le
cortara la mano derecha
por lo que se apodó José Mano Cortada
pero sublevado, huyó tras lo cual,
convertido en cimarrón,
nadie pudo decir que fue del mismo.
Su mestizaje, por el lado español,
databa de la casa llamada
Cabeza de Vaca, de Castilla.
Emigrado de la tierra donde nació
Lam Yam llegará, tras largo viaje,
A San Francisco, California, a México,
y tras México, a Cuba.
Ocurría ello durante
La segunda mitad del siglo XIX.
Con él traía
la memoria de toda clase de paisajes
– siberianos, mongoles, tártaros–:
el drama de Asia y del mar de China.
En sus ojos, salía el sol
de una isla convulsa
que luchaba por la libertad.
Estos fueron sus antepasados quienes,
en complejas circunstancias históricas
se mezclaron para elevar
el grado animal a la temperatura
del drama social universal.
En la mirada eterna del sol,
el flujo y el reflujo de las migraciones
bajo el trópico de Cáncer.
Una mañana de verano,
pletórica de calor y de ruidos
Wifredo
se despierta más tarde que de costumbre
aunque se queda en la cama,
fija la mirada;
De la cocina viene el rumor de palabras
indistintas:
es la familia que está tomando el desayuno.
Del techo
le cae sobre el rostro la negrísima
silueta de un ave con
la cabeza colgando:
un murciélago que está durmiendo
su sueño diario
Para mí, dice, esa figura tenía dos cabezas
En el campo, en la calle, en el jardín,
en el cielo, reina tirano el sol.
No le resiste ningún obstáculo:
no le detiene ni la ventana echada
ni la puerta cerrada de la casa de madera
y se proyectan los rayos de luz,
trocando la habitación
en una linterna mágica,
invirtiendo todas las imágenes que surgen
y desaparecen con la misma
rapidez en la pared y el techo de la alcoba de mi madre.

Todas esas sombras chinescas
que se devoran unas a otras:
un caballo que pasa, hombres,
una carreta y su rueda forman
un círculo móvil.
De la calle llega el ruido
de todo lo que pasa,
invertido, a la habitación;
un ruido infernal.
Por vez primera,
siento el vértigo de la soledad,
la distancia entre los objetos,
y mi medida.
En este pequeño espacio,
experimento por primera
vez la zozobra de no ser sino
una cosa entre las cosas,
una presencia muda frente
a objetos sin nombre.
Ocurre esto en 1907.
Aquel día fue para mí
el comienzo
del sentimiento del paso de los días,
de una vinculación en la memoria
y de un tiempo que no se detiene.
En aquella habitación
cuyo armario abierto deja ver,
como un hombre decapitado,
los trajes de mi padre,
en su luna se reflejaba
la magia de
las imágenes móviles,
mi propia imagen
y la del murciélago despierto
al vuelo oscilante,
en busca de su sombra.
De esa mañana de 1907,
de la presencia de aquella ave
asustada,
data el primer momento
de mi conciencia de estar aquí.

Wifredo Lam (Sagua la Grande, Cuba, 2 de dezembro de 1902 – Paris, França, 11 de setembro de 1982) foi um pintor cubano e se tornou um dos grandes expoentes do surrealismo e do cubismo, sendo amplamente conhecido por ser afilhado artístico e grande protegido de Pablo Picasso em Paris. Ficou famoso por fundir a geometria e as vanguardas europeias com o misticismo e as raízes afrocubanas de sua terra natal, criando um estilo único. In “La gaceta”, 8 de agosto, 2017, e no site “Lineas de la memoria” de Gabriel Cartaya