People cannot know…

People cannot know my painting if they associate it with any kind of symbolism, whether naive or sophisticated. Then again, what I paint does not imply that the invisible is superior to the visible: the visible is rich enough to create a poetic language, evoking the mystery of the invisible and the visible.

René Magritte (Lessines, Bélgica, 21 de novembro de 1898 ― Bruxelas, Rue des Mimosas, Schaerbeek, Bélgica, 15 de agosto de 1967) was an internationally renowned belgian surrealist painter who also wrote prolifically on art and other subjects. In “Rene Magritte selected writings”, de by Kathleen Rooney and Eric Plattner, University of Minnesota Press, 2016 . Ele é famoso por afirmar que “a função da pintura é tornar a poesia visível”. Suas obras de arte são poemas visuais, mas ele também escreveu uma série de poemas escritos e textos surrealistas

Coco de Manuel, de um repentista potiguar: “O encantador de gente”

Vai tirar coco, Manuel
Vai tirar coco pr’eu dançar
Vai tirar coco, Manuel
Vai tirar coco pr’eu dançar
Vai tirar coco, Manuel
Vai tirar coco pr’eu dançar
E quando o vento bater
O coqueiro vai balançar
Quando tu tirar o coco
Todo o povo vai dançar

Manoel do Coco (Barcelona, Rio Grande do Norte, 20 de julho de 1947 – Natal, Rio Grande do Norte, 2 de janeiro de 2015). Conhecido pela sua capacidade de articular as palavras, ele conquistou a admiração de artistas como o poeta, dramaturgo e escritor Ariano Suassuna, para quem “Manoel do Coco era um artista verdadeiro”. Em 1997 lançou o CD “Emboladas”, com o qual se tornou conhecido nacionalmente, e a partir da repercussão desse disco fez apresentações nos programas “Domingão do Faustão”, “Fantástico” e “Globo Esporte”, da TV Globo, e no “Comando da madrugada”, apresentado por Goulart de Andrade, e no “Flash”, apresentado por Amaury Júnior, da TV Bandeirantes

O legado de Picasso: Mais de 45 mil obras

O jornalista Feliciano Fidalgo, do jornal espanhol “El País” sai a campo para levantar o legado do pintor e descobre que ao todo são mais de 45 mil obras

Do “El Pais” (Reproduzido pelo jornal Folha de S. Paulo – Caderno “Ilustrada”, página A – 32, sábado, 3 de janeiro de 1987)

É prudente — ou um gracejo – colocar a pergunta que segue: quantas obras realizou Pablo, Diego, José, Francisco de Paula, Juan, Nepomuceno, Crispin, Crispinrano de la Santísima Trinidad, de sobrenome Ruiz Picasso, conhecido no mundo simplesmente por Picasso, filho de José e Maria (pura casualidade), nascido em 1881, em Málaga? E onde está “isso” e até onde irá? O inventário picassiano,, “o filho do futuro”, é impossível para a Espanha? Ninguém se atreve avaliar.

(…)

O artista espanhol Pablo Picasso, que morreu aos 92 anos e pintou durante 77

(…)

Roland Dumas, profundo conhecedor da personalidade do pintor, conclui: “Picasso dizia que, como acontecia com a pintura, era preciso deixar que as coisas evoluissem por si mesmas. Ele não se enganou: seu nome é celebrado e sua pintura está no mundo todo”‘

Tradução de Marco Antonio Escobar

Embolada do coco

Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
Eu como coco, não deixo o coco sobrar
Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
já estou dentro desse coco e deixo o coco farrear

Coco, cocada, cajibrina cabaré
Carreiro, carru, carré
Candieiro e carcará
Caju, cajá
Cabrito e cachorro louco
Eu tiro o coco, quebro o coco e não deixo o coco sobrar

Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
Eu como coco, não deixo o coco sobrar
Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
Já estou dentro desse coco e deixo o coco farrear

Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
Eu como coco, não deixo o coco sobrar
Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
já estou dentro desse coco e deixo o coco farrear

Coco, cocada, cajibrina cabaré
Carreiro, carru, carré
Candieiro e carcará
Caju, cajá
Cabrito e cachorro louco
Eu tiro o coco, quebro o coco e não deixo o coco sobrar

Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
Eu como coco, não deixo o coco sobrar
Eu tiro o coco quebro o coco rapo o coco
já estou dentro desse coco e deixo o coco farrear

Composição de José Albertino da Silva, conhecido como Caju (São Lourenço da Mata, Pernambuco, 15 de abril de 1962 – Recife, Pernambuco, 8 de junho de 20012001). A embolada ou coco-de-embolada é um ritmo tradicional do Nordeste brasileiro, famoso pelo ritmo acelerado, o uso do pandeiro e letras rítmicas e bem-humoradas, frequentemente baseadas no improviso. Este é um dos maiores clássicos do gênero e é interpretada pela dupla José Albertino da Silva (Caju) e José Roberto da Silva (Castanha)

A poesia em prosa de José Lins

O açude de pedra… As águas paradas onde os marrequinhos nadavam. A sombra dos cajueiros nas tardes quentes de sol. E eu ali, menino de engenho, vendo o mundo passar, no silêncio daquela imensidão verde.

José Lins do Rêgo (Pilar, Paraíba, 3 de junho de 1901 — Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1957) foi um escritor brasileiro que, ao lado de Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz e Jorge Amado, figura como um dos romancistas regionalistas mais prestigiosos da literatura nacional. Ele não publicou livros de poemas em verso. Ele é célebre como romancista da Geração de 1930, mas sua prosa é considerada “poesia em prosa” devido ao forte lirismo, à musicalidade e ao ritmo poético presentes na sua narrativa. Acima trecho adaptado de “Menino de Engenho”, sua obra mais famosa

Soneto a Lasar Segall

De inescrutavelmente no que pintas
Como num amplo espaço de agonias
Imarcescível música de tintas
A arder na lucidez das coisas frias:

Tão patéticas sois, tão sonolentas
Cores que o meu olhar mortificais
Entre verdes crestados e cinzentas
Ferrugens no prelúdio dos metais.

Que segredo recobre a velha pátina
Por onde a luz se filtra quase tímida
Do espaço silencioso que esculpiste

Para pintar sem gritos de escalarte
Na profunda revolta contra o crime
Daqueles que fizeram a vida triste?…

Rio, 1942

Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980). In “Livro de sonetos de Vinicius de Moraes”, Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1957