Mais que a paixão
Não espere de mim
Nada mais que a paixão
Não espere nada de mais
Do meu coração
Que bate, rebate e grita
Geme, chora e se agita
Sambando, nas cordas bambas
De uma viola vadia, vadia
Não espere encontrar numa canção
Nada além de um sonho
Nada além de uma ilusão
Talvez quem sabe
A verdade
A infinita vontade
De arrancar
De dentro da noite
A barra clara do dia
Egberto Gismonti (Carmo, Rio de Janeiro – 5 de dezembro de 1947) / João Carlos Pádua (Rio de Janeiro – Por volta de 1949/ 1950 – 2 de junho de 2009). LP “Circense”, 1980
18º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão
O Brasil e a agenda 2030 da ONU: Desafios do desenvolvimento sustentável
Inscrições abertas para a 18ª edição do Prêmio Jovem Jornalista
Instituto Vladimir Herzog abre as inscrições para a 18ª edição do Prêmio Fernando Pacheco Jordão para jovens jornalistas, voltado a estudantes de jornalismo de todo o Brasil.
Em 2026, o prêmio tem como tema “O Brasil e a agenda 2030 da ONU: Desafios do desenvolvimento sustentável”, convidando jovens jornalistas a desenvolverem propostas de pauta alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco em direitos humanos, desigualdades, justiça social, democracia, sustentabilidade e políticas públicas.
Serão selecionadas cinco propostas de pauta, uma de cada região do país. As equipes vencedoras receberão apoio financeiro de R$ 6 mil, além de mentoria especializada com jornalistas experientes para o desenvolvimento das reportagens em vídeo.
O prêmio homenageia o jornalista Fernando Pacheco Jordão e reafirma o compromisso com a formação crítica, ética e socialmente comprometida de novas gerações de profissionais da imprensa.
Inscrições abertas de 27 de fevereiro a 6 de abril de 2026
Fernando Pacheco Jordão (1937 – 2017) faleceu em São Paulo aos 80 anos. Atuou no jornalismo desde 1957, quando iniciou sua carreira na antiga Rádio Nacional, em São Paulo. Posteriormente, trabalhou como repórter, redator e editor de diversos veículos, como O Estado de S. Paulo, TV Excelsior, BBC de Londres, TV Globo, TV Cultura de São Paulo, revistas IstoÉ e Veja. Como consultor e assessor político atuou nas campanhas dos governadores Mário Covas e Geraldo Alckmin. Dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do assassinato de Vladimir Herzog, Fernando escreveu o livro “Dossiê Herzog – Prisão, Tortura e Morte no Brasil”, que já está na sétima edição revista e ampliada e constitui documento fundamental para a História do Brasil. Foi sócio-diretor da FPJ – Fato, Pesquisa e Jornalismo. Hoje é patrono do “Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão”, realizado pelo Instituto Vladimir Herzog desde 2009 e que já está em sua 18ª edição.
Leia mais: https://vladimirherzog.org/jovem-jornalista/
Lembranças, João Alexandre… Avô Pedro, primo Felipe, prima Marina, tio Edson, sensei Magda, pai João e desenhos na Jacarandá 2011 – 12
Há uma gota de sangue
Fantasia
É bela a cecém do vale
Quando desponta mimosa,
Sobre o caule, melindrosa,
Ao rutilar do arrebol;
Quando a gota etérea e pura
Que chora o céu sobre a terra,
O lindo seio descerra
Aos frouxos raios do sol.
É bela a meiga criança
Sorrindo à luz da existência,
Co’a alma – toda inocência,
E a face – toda rubor!
Os róseos lábios ungidos
Por mil acentos – suaves
Como o gorjeio das aves,
Como um suspiro da amor!…
Des’brocha o lírio, mais alvo
Que o tênue floco de neve;
A viração fresca e leve
Lhe oscula as pétalas – feliz;
Ternos carmes lhe murmura
A namorada corrente,
Que se deriva indolente
Por sobre o flóreo tapiz.
Assim a virgem formosa
Torna-se mais sedutora,
Quando a poesia enflora
Sua beldade ideal!
Quando no brilho fulgente
Dos olhos vívidos, belos,
Su’alma ardente de anelos
Mostra candor divinal!
Então, se a fita a miséria
Sente no seio a esperança;
A um seu sorriso a criança
Ligeira tenta sorrir;
Aos lábios – casto delírio
Implora a audaz borboleta;
O mesmo altivo poeta
Pede-lhe um raio de amor!…
E tudo, tudo o que a cerca
De medrosos juramentos,
Vê, nos vagos pensamentos,
A candidez que seduz!
E tudo, tudo o que sofre
Vê que, à imagem de Maria,
A virgem – flor de poesia –
Deus fez repleta de luz!
Que o Senhor a ti, ó virgem,
– Símbolo de amor e candura –
Poupe a taça da amargura
Que a meu lábio não poupou!
Que se desdobre nitente
A fita de tua vida,
De tantos sonhos tecida
Quantos o céu me negou!
Narcisa Amália (São João da Barra, Rio de Janeiro, 3 de abril de 1852 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 1924). Poeta, escritora, tradutora e crítica literária, foi reconhecida como a primeira mulher a trabalhar como jornalista profissional no Brasil. Escreveu na revista “A Leitura” (1894 – 1896) muitos artigos sobre o feminismo e a república. Sua obra poética também é voltada ao combate à opressão da mulher na sociedade e o regime escravista
Dublê
Fragmento de uma carta escrita em 25/11/2002
(…) A noite fui à análise, onde continuei a difícil tarefa de desenhar e pintar um sonho que tive tempos atrás. Estou fazendo essa tarefa em três partes, uma em cada papel. Havia sonhado que estava sendo sugado por um túnel, sendo engolido em várias fases. Tentei desenhar uma delas, onde através de balões de cor, sou sugado, juntamente com outras pessoas para dentro de uma piscina e daí para um outro nível, como um campo que lembra areia movediça. O primeiro papel é de fundo azul, cheio de bexigas cheias coloridas e homenzinhos sendo transportados em seu interior. No segundo papel temos os balões deformados e murchos, com os homenzinhos caindo em um fundo próximo do verde-musgo. No último temos somente os pequenos personagens caídos em um terreno que futuramente os sugará para dentro, como uma areia despegada, em direção a túneis e cavernas labirínticas. Um dia, quem sabe, te mostro o resultado deste trabalho. (…)