Simone Bellusci, Série Atlântica: Solar, Tarde Laranja e Quase Noite

Essas obras fazem parte da Série Atlântica: Uma obra do puro acaso. É assim que Simone a define. Um encontro entre o espírito aberto da artista e o espaço, assim como a exuberância da Mata Atlântica. Um olhar exploratório que recria na tela esse contato com a floresta, gerando uma síntese entre o externo e a absorção subjetiva desses elementos. São paisagens, folhas, bulbos, rizomas, flores, ar e luz. Elementos reconstruídos em cores e formas. Compartilhado pela artista em suas pinturas. Atlântica se expressa e se traduz em recortes de construções imaginárias, nichos. São espaços vivos, personalizados e projetados em tela. É a vida interiorizada, delineada em cores e formas intensas, orgânicas e vibrantes.

Curador: André Camargo

A pintura de Simone Bellusci vibra por um mundo que é preciso se reinventar. A artista não inventa a paisagem mas aproxima seus protagonistas, criando tramas e sobrepondo temas, entre folhas, flores, frutas, pássaros, água e outros elementos naturais.

Renato de Cara

Simone Bellusci iniciou seus estudos em Arte, entre 1978 e 1982, no ateliê de Leticia Marquez. Formada em Artes pela Universidade Estadual de Londrina em 1984, participou de cursos de gravura como extensão universitária. Graduada em Licenciatura Plena em Artes pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em 1987, foi aluna e monitora de Claudio Mubarac, Mario Ishikawa e José Moraes. Entre 1986 e 1990, aprofundou seus estudos em Arte Contemporânea com Renina Katz, Maria Bonomi, Nuno Ramos, Paulo Monteiro, Carlos Evandro Jardim, Ubirajara Ribeiro, José Spaniol, Herman Takasei, Luize Weiss e Luiz Hermano. No mesmo período, contribuiu para a montagem da 19º Bienal de São Paulo. Entre 1981 e 1988, participou de vários salões de arte, com premiação na VII Mostra de Gravura da Cidade de Curitiba. Exerceu a função de arte-educadora entre 1987 e 1997. Desde 2009, estabeleceu seu ateliê de pintura em Londrina/PR, onde reside e trabalha. No ano de 2022 realizou a exposição Paisagens Aproximadas na Hangar 43, na cidade de Londrina/PR, Brasil. Em 2023, deu início à sua carreira internacional, marcando presença em diversas exposições.

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Carlo Batistella Art: Platycerium X (P. bifurcatum), Platycerium XVIII e Agave II

Artista Visual 🎨 Goiânia – Brasil 🇧🇷
Eng° Agrônomo pela UFV-MG
Especialista em pintura a óleo e arte botânica

Carlo Batistella é artista plástico autodidata e pinta há 30 anos. O óleo sobre tela sempre foi sua principal técnica de trabalho. Carlo cursou agronomia na Universidade Federal de Viçosa, onde estagiou no departamento de biologia vegetal e passou a se interessar também pela ilustração botânica. Em 2012 começou a atuar profissionalmente e exclusivamente com a pintura, e vem desde então edificando uma promissora carreira como artista visual. Já participou de exposições individuais e coletivas em Goiás e outros estados.

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Teresa

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Manuel Bandeira (Recife, Pernambuco, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968). In “Libertinagem”

Uma arte

A arte de perder não tarda a aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
e a perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
Se a arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde passaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarde a aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta. Nenhum desastre.

– Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente;
A arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda – Escreva isso! – lembre desastre.

Elizabeth Bishop (Worcester, Massachusetts, Estados Unidos, 8 de fevereiro de 1911 – 6 de outubro de 1979)

Trecho de “Lavoura arcaica”, publicado em 1975

“…investiguei os arbustos destruídos no abandono do jardim em frente, mas nada ali se mexia, era um vento parado, cheio de silêncio, nem mesmo uma tímida palpitação corria o mato, a imaginação tem limites eu ainda pude pensar, existia também um tempo que não falha!…”

In “Lavoura arcaica” – Raduan Nassar (Pindorama – São Paulo, 27 de novembro de 1935)

Gago apaixonado

Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago
Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago
Não po-posso com a cru-crueldade da saudade
Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago

Tem tem pe-pena deste mo-moribundo
Que que já virou va-va-va-va-ga-gabundo
Só só só só por ter so-so-sofri-frido
Tu tu tu tu tu tu tu tu
Tu tens um co-coração fi-fi-fingido

Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago
Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago
Não po-posso com a cru-crueldade da saudade
Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago

Teu teu co-coração me entregaste
De-de-pois-pois de mim tu to-toma-maste
Tu-tua falsi-si-sidade é pro-profunda
Tu tu tu tu tu tu tu tu
Tu vais fi-fi-ficar corcunda!

Noel Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937), grande sambista carioca