“Na pequena casa no México onde espera tranquilamente a morte sem um além — “sou ateu, graças a Deus” —, o cineasta Luís Buñuel comemorou há dias seus 82° aniversário. A não ser pela visita de alguns amigos, nada perturbou o ritual dessa vida de monge, marcada por dois momentos, ao meio-dia e às seis da tarde, horas em que prepara com zelo amoroso um martini seco. Desse último “tempo morto” de uma vida que finda, Buñuel envia uma mensagem explodindo de saúde, recheada de lembranças surpreendentes, um livro escrito com a cumplicidade afetuosa de Jean-Claude Carriere.
“Meu último suspiro” tem as marcas dos seus filmes: clareza inocente e simplicidade sem floreios que geram um sentimento de misteriosa estranheza. Ao longo de sua vida, Buñuel atravessou revoluções — dos costumes, das artes, das nações. Ainda estudante, seus dois melhores amigos foram Garcia Lorca e Salvador Dali.
(…)
A sua avaliação dessa “revolução” em relação ao seu passado, ao qual permanece fiel sem qualquer remorso, é singularmente severa. Com a ternura contida e a firmeza secreta que são suas características, reconhece que triunfou apenas no acessório — o sucesso artístico e o êxito cultural —, mas que fracassou no essencial: transformar o mundo e a vida.
Nesse quadro de tons cinzentos, mas pontilhado de humor na sua espera pela morte, Luis Buñuel renega os gritos de sua juventude e murmura: “Abaixo o amor louco! Viva a amizade!”. Verdades de outra idade, ditas com o distanciamento do pudor, a beira do último suspiro, por um homem que, ignorando o próprio mito, jamais se tomou por Luis Buñuel.”
Sombra rala
Solombra
Eu sou essa pessoa a quem o vento chama,
a que não se recusa a esse final convite,
em máquinas de adeus, sem tentação de volta.
Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza:
Eu sou essa pessoa a quem o vento leva:
já de horizontes libertada, mas sozinha.
Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.
Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:
“Agora és livre, se ainda recordas”
Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964). In “Solombra”, Editora Livros de Portugal. No ano de meu nascimento e da partida dessa incrível poetisa o livro “Solombra” venceu o 6º Prêmio Jabuti (realizado em 1964), sendo premiado na categoria “Poesia”. Este foi o último livro de poesia dela, publicado em 1963. A obra reúne 28 poemas marcados por temas como a morte, a solidão, a memória e a passagem do tempo
Semente de moldura verde
A um homem qualquer
Tu que vês a lua traçar o arco da tarde
e tens a certeza de que o sol prossegue seu conciso incêndio,
tu que já sentiste o vidro do mar,
sabes o gume do tempo, o rumor no pulso, o gosto do fel e do pão –
. consentes prender teu grande cuidado
em cifras, jogos, adições inertes, nomenclaturas?
. Aceita! aceita tudo
como um fardo, talvez uma paga,
um resgate,
. todavia rebela-te
e iça as veias quando o vento vier
. que o resto é indigno de ti
José Paulo Moreira da Fonseca (Rio de Janeiro, 13 de junho de 1922 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2004) foi um escritor, poeta, ensaísta, teatrólogo, pintor e crítico de arte, e um dos mais importante nomes da poesia brasileira das gerações dos anos 40 e 50, tendo sido indicado algumas vezes para a Academia Brasileira de Letras. Foi o primeiro vencedor da categoria “Poesia” no Prêmio Jabuti, e levou o prêmio na edição inaugural de 1959 com o livro “Três livros”. Venceu também, em 1974 esse mesmo ´prêmio de poesia, com o livro “Luz e Sombra”. In “Antologia Poética”, Editora Leitura S. A.
Nota: A categoria “Poesia” foi criada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) já na primeira edição do Prêmio Jabuti, em 1959. O objetivo do Jabuti nessa categoria, é premiar autores de livros de poesia publicados no ano anterior ao da cerimônia. Até 1992, havia apenas um vencedor por categoria. Em 1993 e 1994, foram definidos até cinco vencedores em cada categoria. A partir de 1995, os três primeiros colocados passaram a ser considerados vencedores (as exceções foram de 2002 a 2005, quando o segundo e o terceiros colocados receberam o prêmio como “menção honrosa”). A partir de 2018, apenas o primeiro colocado voltou a ser considerado vencedor da categoria
22 anos do site José Aníbal
Nesse 18 de agosto o antigo site de José Aníbal faz aniversário e, com satisfação, lembro esta data. Este site está no ar desde os seus tempos de vereador pela cidade de São Paulo e o seu objetivo continua sendo o de informar, debater e divulgar suas e atividades como político.
Na sua trajetória ele passou pela sua votação recorde para vereador da cidade de São Paulo em 2004, onde foi eleito com 165.880 votos. Seguiu com sua eleição para deputado federal em 2006 e em 2010, e depois continuou com sua escolha para secretário estadual de energia do Estado de São Paulo em 2011 e, em 2014, quando foi eleito primeiro suplente à senador na chapa encabeçada por José Serra.
Em 2016 assumiu pela primeira vez o mandato no Senado Federal com a ida de José Serra para o Ministério das Relações Exteriores, e ficou no cargo até fevereiro de 2017. Voltou a assumir temporariamente a vaga de Serra no Senado Federal em agosto de 2021, após o titular se afastar por doença e pedir licença por 4 meses.
Fica então essa memória e a internet agradece!
Acesse: https://www.joseanibal.com.br/
De retalhos de jornal
Namoro de bicicleta
Namoro de bicicleta
Ou então jogando peteca
No meio dessa fofoca
Pulando que nem pipoca
Vou fundo, no fundo
No qual, no fundo eu me afundo
Dizendo: Eu que te entendo
Em cada segundo de cada segundo
Depois eu dou um pulo de pulga
Dou, dou um pulo de piolho
Em cima da coisa mais fina
Que é você que eu escolho
E depois de pôr o amor no amor
E beijar o olho do seu olho
Ponho nós dois como feijão no arroz de molho
Ah-ah-ah, de olho no molho
Jorge Mautner (Rio de Janeiro, 17 de janeiro de 1941) / Nelson Jacobina (Rio de Janeiro, 1953 — Rio de Janeiro, 31 de maio de 2012). Canção lançada no álbum “Bomba de estrelas” em 1981. A letra traz o estilo lúdico e poético característico do autor, misturando imagens cotidianas com lirismo
100 filmes imortais: Masp (24 a 31 de julho de 1981)
Ciclo II, com colaborações da Cinemateca do MAM-Rio/ CIC/ Polifilmes/ Cidef

“A editora italiana Mondadori encomendou a 19 críticos internacionais de cinema a elaboração de uma lista atualizada dos melhores filmes de todos os tempos. Baseado nesta lista classificatória de 100 títulos, o Masp apresenta um novo ciclo dedicado aos 100 filmes imortais.”

Dentre os muitos filmes destaco: “O anjo exterminador” (1962) de Luis Buñuel; “Nosferatu” (1922) de F. W. Murnau; “Deus e o diabo na terra do sol” (1964) de Glauber Rocha; “No tempo das diligências” (1939) de John Ford; e “Hiroshima meu amor” (1959) de Alain Resnais.